sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Destino
Ontem eu comi vingança. Ontem saboreei sorvete de tristeza com cobertura de lágrimas, de alguém que algum dia tinha me feito sofrer.
Caiu mal em meu estômago, o que tão saborosamente passou pela minha boca e hoje não sei o que fazer para a dor passar.
Cada um colhe o que planta, não nos ensinam assim? Eu não queria colher algo tão amargo quanto o que sinto agora, que percebo que todos os meus votos de que ele fosse feliz sem mim eram verdade. Sim, era verdade, eu queria que ele fosse feliz.
De quebra, eu queria ser feliz também, talvez não feliz, só menos dramática seria bom.
Um dia eu o vi sair por uma porta e não voltar nunca mais, hoje quem sai pela porta sou eu e nem sei pra onde ir. Depois de quase dois anos saí do quarto trancado à chaves que guardava no coração, e não vi nada.
Achei que olharia e veria uma escritora, mas só fato de escrever não me torna uma. Qualquer criança de sete anos sabe escrever sobre o que sente, e assim, o que me fazia sentir especial, saiu também pela porta, e me deixou sozinha, com meu blog e alguns amigos, que nunca abracei e que nunca vi e deveria bastar, mas hoje nada basta.
Hoje é a vez do destino comer meu sorvete de sofrimento e me mostrar que não sou nada, a vida não é realmente fantástica?
Um dia do caçador, outro dia do caçador, todos os dias do caçador... é preciso entender que o dia da caça nunca chega, é preciso entender que a caça tem apenas alguns minutos de descanso enquanto o caçador não sente seu cheiro e, Deus sabe, o destino é um excelente rastreador.
sábado, 3 de novembro de 2012
Caminhos diferentes
Eu poderia dizer que é triste, mas não é.
Sempre foi assim e como poderia não ser? A pessoa que é o centro do teu mundo hoje, nem existe daqui a um ano.
Estranho pensar no modo como as coisas acontecem, tenho amigos que são amigos durante minha vida inteira, de quem me afastei por longos anos, por motivos de que nunca me lembro, mas que sempre estiveram de braços abertos, como um porto seguro, esperando assim que eu decidisse atracar. Tenho amigos que fazem parte da minha vida a alguns anos, que vejo todo dia e que até dói pensar em não ver mais, mas nunca sabemos o que acontecerá. E existem pessoas que foram amigos, confidentes, literalmente irmãos e que hoje, nem me reconhecem quando passam por mim na rua.
Não é de se estranhar: eu não sou mais a mesma pessoa, mudei completamente o rumo da minha vida, não posso culpá-los por não me verem mais e nem eu por também negligenciá-los, porque o tempo passou e eles continuam os mesmos e meus olhos se recusam a não enxergar mudança.
Lembro-me das tardes no parque lendo com minha melhor amiga, que hoje não me liga nem no aniversário, lembro-me dos telefonemas diários do meu melhor amigo, que eu amava de todo o meu coração... E que hoje não aceita nem meu convite no Facebook, e pensar que isto aconteceu a uns cinco anos atrás...
As pessoas vem e vão da nossa vida, mas ficam marcadas para sempre, queria que elas soubessem disto, que cada amigo meu soubesse que é parte da minha história e um pedacinho do que eu sou hoje, ainda que tenhamos nos perdido, ainda que quando nos achamos não nos reconhecemos mais...
Eu ainda sou a mesma pessoa que você amou, ainda sou a mesma pessoa que te fez sorrir... só fiquei mais amarga e mais culta, fiz uma ou duas tatuagens, fumo um ou dois maços de cigarro e tomo quanta cerveja meu corpo aguentar... mas ainda sou eu.
Aos meus amigos, que hoje não lembram nem meu nome.
sábado, 27 de outubro de 2012
Se o amanhã não vier
Seu eu morrer hoje, não deixarei nada para trás.
Dediquei-me ao que eu acreditava, defendi com força cada um dos meus ideais, fui leal a cada um de meus amigos e fui a melhor filha que as minhas condições e forças, me permitiram ser para meus pais.
Fui uma irmã omissa, não me lembro de jamais ter feito algo extraordinário que justificasse o nome de irmandade ao meu relacionamento com meu irmão, mas ninguém jamais o amará como eu o amo. Falando de amor, aprendi o que é amor com meus avós: amor a ponto de dar tudo, amor de entregar-se todo, até a morte.
Se eu morrer hoje, não deixarei filhos e nem grandes obras, não deixarei nada e talvez por isto a morte não me soe tão triste.
Se eu morrer hoje, ou amanhã, ou daqui a 67 anos, saibam que amei e amei com todas as minhas forças, com cada fibra do meu ser cada ser humano que de alguma maneira passou pela minha vida.
Se eu morrer hoje, saibam que não me arrependi de ter abandonado minha religião e aderido firme e constantemente ao cigarro e a bebida, a leitura e a poesia; mas me arrependo todos os segundos da minha vida por ter abandonado a Deus... sim, eu acredito nele; não: ele não estava na igreja.
Saibam que nunca temi a morte, saibam que não deixo nada para trás não pelo significado que as coisas têm pra mim: cada fio de cobertor significa algo em minha vida e eu consigo ver suas cores e sentir seus cheiro e amá-las com devoção.
Se eu morrer hoje, me perdoem pelas palavras não ditas, pela falta de esperança e de significado naquilo que eu escrevia, perdoem minha alma rasa e a minha escrita "verde". Se esta fosse a última coisa que eu escrevesse, diria que a vida inteira procurei ser grande, mas que no final dela, ou no fim desse dia, entendi que não sou nada e que jamais serei, ainda que minha altura seja tão elevada quanto ao do Empire State. Me desculpem por cada eu te amo não dito, por cada vá se foder não berrado, por cada vez que fiz você ter o trabalho de abrir um link e ler um texto para no final pensar: "Anh?".
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Isto
Desde que me conheço por gente eu nunca fui eu:
eu sempre fui isto,
Isto que não presta
Isto que não sente
Isto que nunca quis dar o que presta e o que sente.
Isto que sempre fui
Marcada à fogo
Forjada na batalha do dia a dia
Isto endurecida pelo amor e pelo desprezo
Isto que nunca quis dar o que presta e o que sente.
Este eu que sempre foi isto,
este eu que sempre foi a sobra do cinismo
herdado de cada homem que passou pela minha vida
e que deixou sua marca profunda e irreparável.
Este eu que não presta
Este eu que não serve
Este eu que não some
E que, irremediavelmente, sofre por isto.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Colóquio
E eu ali, no meio de tanta gente inteligente, ouvindo falar de teóricos que nunca entendi, e não nego que, por vezes, cheguei a questionar o que fazia ali.
Eu ali, ouvindo de outros o que acontecia dentro de mim e, tornando-os assim, parte de mim também.
Eu ali perdida, mas desejando desesperadamente me encontrar, como se aqueles doutores fossem minha tábua de salvação em meio a um oceano em que nada fazia sentido e onde eu já estava prestes a me afogar. Me afogar neste mundo sem sentimentos sinceros e onde ter um coração não vale nada. Este mundo de que eu nunca fiz parte, porque tenho o dom natural de me apaixonar à cada esquina e de me entregar completamente à tudo o que me cheire a vida e talvez, exatamente por isto, a vida sempre tenha me cheirado a morte.
Eu não queria viver neste mundo fragmentado e em trânsito. Eu queria viver poesia, viver romances de livro, só não entendia que a solidão da modernidade também rendia pelos poemas e histórias fantásticas, só não percebia que havia encontrado muita gente sofrendo desta solidão e que talvez fosse por isto que eu sempre me encontrava em muita gente.
E eu ali, ouvindo coisas maravilhosas enquanto escrevo, parecendo muito interessada no que estava sendo dito, olhando às vezes, para parecer que estava dando atenção, talvez compartilhando com meus outros eus a minha solidão: de quem escreve sem ser lida, fala sem ser ouvida, sente saudade enquanto é esquecida e que ama, sem jamais ser amada.
sábado, 22 de setembro de 2012
Em meus olhos verdes
Existem coisas inexplicáveis, isto, todo mundo sabe. Mas como se explica se atrair tanto pelo perigo, que se apresenta de uma maneira tão desejável?
Não sabemos exatamente como acontece, mas de fato, acontece. Não foi assim naquela noite de bebedeira em que te conheci? Na noite em que me apaixonei irremediavelmente, mesmo sabendo de todos os perigos que isto acarretava? Mesmo sabendo que corria perigo: Perigo de me perder, de perder a vida, a visão que as pessoas tinham de mim, e, mais ainda, como explicar que o meu maior medo era, de repente, te perder e nunca mais sentir o que senti aquela noite?
Aquela conexão de almas, de bocas e de corpos que acabou resultando em uma lembrança tão doce, que nunca se repetiu, mas que ficou impressa em mim como uma tatuagem.
A vida tem destas coisas mal explicadas, desta coisas erradas que fazemos sabendo que é errado e sabendo que nosso coração nos faz acreditar que é certo?
Como se jogar em um abismo sabendo que jamais se encontrará o fundo e ainda assim, sentir um prazer imenso ao faze-lo?
Um mês, um ano, uma vida, o que importa? O tempo parou da primeira vez em que me vi refletida em teus olhos, da primeira vez em que seus lábios tocaram os meus, da última vez que a luz se acendeu em meus olhos verdes, que você disse que eram mais profundo que o mar.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Carta ao meu amor

Escrevo enquanto Caetano canta, tento pensar em não simplesmente não escrever. Na verdade minha cabeça pensa: "não é assim Gabi, não se chega bêbada em casa em plena terça-feira e coloca-se uma daquelas músicas em que o Caetano, Gil e Buarque fazem seu coração sangrar para então escrever uma coisa que vai fazer com que você se arrependa", mas meus dedos embriagados respondem: "foda-se, já abri o blog, agora já era".
E enquanto Caetano canta " Não me arrependo" penso em todos os meus arrependimentos e então fico aqui, tentando fazer uma fórmula de subjetividade. Como falar o que eu quero, sem dizer o que eu quero? Como falar do meu amor, sem ser para o meu amor, e então vai saindo isto, esta coisa que só se entende quando se está tão bêbado quanto a pessoa que vos escreve e que todos chamam de arte exatamente porque não conseguem entender.
E tudo o que eu consigo pensar é: Quando você me deixou, perdi o tom e nunca mais consegui cantar nenhuma outra canção, nunca mais minha voz se encaixou na voz de outro alguém, nunca mais o momento perfeito em que a música que tocava era a que eu queria cantar.
Nunca mais vi um dia de Sol, nunca mais a claridade invadiu meu quarto pela manhã do mesmo jeito e nenhuma cerveja teve o mesmo gosto desde então.
Nunca mais uma linha foi escrita sem amargura, nunca mais o amor foi sentido sem arrebentar meu peito, nunca mais seu nome foi dito sem me provocar uma dor imensa, ainda que ninguém estivesse falando de você, e eu odiava os seus "xarás" por isto.
Eu esqueci teu cheiro, o gosto do seu beijo, o calor do seu corpo e assim fui esquecendo de você e esquecendo de mim também. E assim como você foi virando só uma lembrança vaga e um fantasma que me assombra, bem assim, fui fazendo também o meu caminho: um rascunho de tudo o que eu já havia sido, uma imagem que todos vêem e com quem todos riem ou choram, mas que nunca saberão quem é, porque quem eu sou está descompassado e jamais voltará a ser o mesmo.
Meu coração fica repetindo a mesma nota G. aumentado ou diminuído às vezes sustenido, como gostam de chamar, e que me enlouquece ouvir e que sempre me dá dor de cabeça, mas que é a única nota que sei fazer no violão.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Frescuras

Eu sempre tive lá minhas considerações sobre o que era normal. Sempre soube que eu passava muito longe disto.
Vamos fazer um teste, um teste simples: Você acorda e ao sair de casa, percebe que o céu está carregado de nuvens cinzentas e que a temperatura está caindo a cada instante. O que você pensa?
a) Vai chover, vou pegar o guarda-chuva.
b) Vem uma tempestade, vem o cinza mais um vez, aquelas gotas pesadas escorrendo nas ruas, como minha tristeza escorre pelas minhas veias, manhã cinza esta, sim, manhã cinza: mas nunca tão cinza quanto eu.
Se você escolheu a opção A: Parabéns, você faz parte dos 90% da população que são pessoas normais, que não precisam de psiquiatras, nem de antidepressivos, nem de amigos te dizendo o tempo todo que tudo está bem. Mas se você escolheu a B, meu bem, meus sentimentos mais profundos, você é igual a mim e precisa de toda ajuda anti-frescura possível.
Precisa ler, sentar e ler, precisa esgotar toda a sua necessidade dramática de encarar a vida do jeito mais difícil, para que, talvez, um dia, você consiga se vencer. Precisa ser convincente com quem está do seu lado e vestir seu melhor sorriso e beber com a sua cara mais sóbria, pra que todo mundo pense que você está bem e quando falar, preocupe-se em parecer feliz, escreva, leia e finja que se você está triste o tempo todo todo é culpa da porcaria da "alma de artista" que só vai te abandonar quando você morrer e quando o bicho pegar mesmo, daqueles dias em que você não quer sair de casa, coloque a culpa em um bloqueio artístico qualquer.
Não discuta quando te falarem que isto que você sente é falta de uma Igreja, de um Terreiro, de um Templo Budista, de alinhamento nos seus chacras. Diga que você reza muito, seja pra Jesus, pra Ogum, pra Krishna, para os espíritos de luz ou o raio que o parta, porque nada, repito, nada, irrita mais uma pobre alma de artista do que infindáveis discursos religiosos, dizendo que sua alma está no inferno porque o capeta, ou o encosto da esquerda estão travando sua vida, até porque é mentira: sua alma está vivendo no Inferno porque não sabe pra onde ir.
As pessoas normais sabem pra onde ir, olham pra uma jaqueta azul e pensam: que bonito, uma jaqueta azul. Nós... nós pensamos: Jaqueta azul, como ele(a) usava e que tinha um cheiro tão nosso, e que era tudo, era parte de mim , era o que me fazia todo. Consegue entender? Existe uma falta de praticidade na nossa maneira de pensar e de agir, que chega a dar raiva e que nos faz andar em círculos, e pensar que estamos como rochas, seguindo em frente.
Cá pra nós, meus amigos, sempre invejei as pessoas normais, o mundo inteiro é delas e por isso parece um lugar tão escuro e sombrio pra mim, tão escuro e tao sombrio que faz com que eu me perca e mude de direção a cada dois passos.
Me perdoem a frescurite impregnada neste texto, é que é a frescurite impregnada em mim, e que, compartilhando com você, torno nossa, e assim, com mais gente do meu lado do mundo, me sinto mais forte e, talvez, menos perdida também.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Oh le le. Oh lá lá. O feriado tá aí e o bicho vai pegar!

Vou te dizer meu amigo, nada nesta vida anima tanto esta pessoa que escreve pra você neste momento, quanto um bom feriado em plena sexta-feira! Bate aquela vontade enlouquecedora de viver intensamente, de ir para a cachoeira mais próxima e lavar todo o desgaste de tempos tão difíceis, quanto estes em que vivemos.
Tempos difíceis sim, tempos de mentiras bem e mal contadas, de desilusões, de cansaço acumulado, de estudar enlouquecidamente, de trabalhar freneticamente, de desejar fugir ardentemente, de tudo, de tudo mesmo: da falta de dinheiro, daqueles amigos mais falsos que nota de trinta reais, da pressão de ter que se dar muito mais do que temos pra dar. Mas vamos combinar, a expectativa de que ao menos por um dia, mandar tudo isto à merda e viver feliz, já te lembra que estar vivo e respirando é uma dádiva, e de todas as riquezas que só nós possuímos, como amigos que te mandam mensagem às oito horas da manhã perguntando se você quer beber, ainda que seja tomando banho na piscina de plástico dos sobrinhos dele!
Vamos combinar que são tempos maravilhosos também, porque em meio a cada dificuldade que enfrentamos, experimentamos também a delícia de nos vencermos a cada obstáculo enfrentado e não há quem não se sinta vencedor por pelo menos dois minutos de seu dia, ainda que por um motivo fútil, como conseguir vencer uma droga de intestino preso!
É feriado, e este dia quente faz com que a vida corra por cada grão de terra no parque, em cada criança que passa andando de bicicleta, em cada copo de cerveja no boteco lotado da sua e da minha rua!
Vamos viver meus amigos e apreciar o otimismo que nasce dentro de cada um de nós, ainda que seja por um dia. Vamos refletir sobre o motivo das nossas alegrias, para que possamos vencer sempre que a vida nos oferecer um desafio!
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Puta falta de sacanagem

Vou te contar uma coisa meu amigo leitor, uma coisa que está a 25 anos engasgada em minha garganta, algo que nunca compartilhei com ninguém, mas que sempre me feriu e me magoou profundamente. Sim, sim...estou falando pela minha paixão secreta.
Eu me lembro da primeira vez em que o vi: bermuda preta, cheia de bolsos, com aqueles coturnos pretos, a camiseta branca embaixo da camisa xadrez, os cabelos longos e aqueles olhos verdes, tão profundos que podiam ler minha alma... e a voz? Ahh aquela voz que parecia sussurrar em meus ouvidos, mesmo que vinda do fundo da alma, mesmo que gritada... toda aquela força, me fez abrir mão de minha antiga paixão, e olha que era uma coisa difícil... competir com os cabelos loiros e as calças apertadas e o colete de couro do Bon Jovi em plenos anos 90, missão quase impossível, mas ele o fez.
Quando vi o Eddie Vedder pela primeira vez eu soube, ele seria o amor da minha vida. Digo isso porque achei hoje uma anotação em uma agenda de quando eu tinha uns 9 anos e vi em uma página um coração, pintado com um lápis de cor, que guardava a inscrição: Gabriela e Eddie... forever!
Ah meu amigo leitor, leitor de todas as minhas dores, leitor de todas as minhas reclamações, eu precisava compartilhar isto com vocês. Precisava dizer que nenhum homem deveria ter sido mencionado nesse blog, porque nenhum deles chega aos pés do meu segundo amor, do meu Eddie, que me fez amar o rock, entende isto? Aquele dia em que vi Eddie na MTV pela primeira vez, mudou a minha vida e definiu a minha personalidade para sempre.
É uma sacanagem que eu não possa externar este amor, e olha que eu estive bem pertinho... agora eu entendo porque quase desmaiei em pleno Morumbi quando ele cantou "Black", e eu idiotamente, achando que era por causa de um reles mortal, quando na verdade, era meu coração se lembrando que eu havia jurado que o amaria para sempre!
Querem saber meus amigos... estou muito mais feliz agora que tenho o Eddie pra cantar todas em todas as minhas noites de insonia, do que quando tinha um babaca ocupando a cama ao meu lado!
terça-feira, 28 de agosto de 2012
A-L-E-S-S-A-N-D-R-A

Ela é toda perfeitinha, não conheço uma pessoa que tenha alguma reclamação a fazer sobre este pedacinho de complicação que Deus colocou na Terra.
Meio indecisa é verdade, mas não existe uma pessoa, que, ao vê-la com aquele uniforme branco, tenha a audácia de não respeitá-la. Poucas pessoas a conhecem de verdade, isso é um fato, mas também é um fato de que isto é, um pouco, uma estratégia: pra que mostrar quem você realmente é, para quem não tem a menor importância?
Ela demorou pra aceitar que algumas coisas na vida são mais complicadas que outras, nunca me perdoou por eu não tê-la convidado para ser minha madrinha de casamento (aliás, vamos combinar, foi melhor assim, você não iria querer apadrinhar uma coisa que não deu certo!) e gastou tanto tempo com coisas inúteis... Desperdiçou tanta energia pra encontrar uma felicidade, que só precisava que ela tomasse coragem de dar passo, para ser encontrada. E quer saber, ela deu, e foi lindo.
Eu sempre digo que tenho uma sorte enorme por conhecer anjos, conhece-la, foi uma dessas coisas, que eu só consigo chamar de presente de Deus, que a colocou bem ali, do lado da minha casa, uns dois meses antes de eu nascer. Ele sabia que eu ia precisar de alguém pra chorar junto comigo durante a TPM, fazer bolo de chocolate no meio da tarde, alguém pra ser uma irmã, uma irmã de verdade. E hoje, bem... Faz 26 anos que esta pessoa vem deixando seu brilho por onde passa e eu abro um parenteses nos meus assuntos cotidianos, nas minhas tristezas, nas coisas loucas da minha cabeça, pra dizer: Minha irmã, eu não lhe desejo nada mais do que tudo aquilo que você desejar conquistar! Que o mundo inteiro seja seu, pois ele cabe inteiro no seu coração. Passar a vida com você é, foi e será sempre, um prazer e uma honra!
EU TE AMO!
PS: Se depois desta você não me chamar pra ser madrinha... o bicho vai pegar!
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Sexta-feira, Sexta-feira: por que me persegues?

A vida é mesmo uma coisa estranha. Já sentiu que tudo muda de um dia pro outro? Digo, uma revolução, de verdade?
Os meus textos deste mês foram tão pobres, de argumento, pontuação e tema, que eu até me envergonho, só não apago, porque gosto de me lembrar como sou patética, quando me lembro de certa pessoa patética! Pessoa patética que lê e recomenda meus textos! A vida têm mesmo essas ironias, estranhas e difíceis de entender, mas ela continua seguindo, não é mesmo?
E aqui estamos nós, em mais uma sexta-feira, linda, com o Sol radiante, com noites que prometem ser lindas e então me lembro: que perdi um mês inteiro da minha vida, sem me preocupar em ser feliz! E então, acontece aquela revolução, àquela, que precisava ter acontecido a um ano atrás: aquela ânsia por vestidos lindos e curtos, perfumes caros, cigarros importados, mãos, braços, bocas, cheiros, pescoços, camas. Essa vontade linda de viver que não está mais presa na minha cabeça louca, que passou um ano inteiro trocando tudo isto, por uma cama gelada, bebida suficiente pra derrubar um elefante e as músicas da Amy, minha pior droga, aliás.
Meus lindos, poucos e maravilhosos leitores, eu os convido a esta revolução! Vamos viver nossas vidas, vamos lá, o mundo está naquela esquina ali em frente, já dizia Belchior, vamos conquistá-lo, vamos torná-lo nosso!
Vamos pegar nossa tristeza e tudo aquilo que não me deixava em paz e mandar pro Inferno que é o lugar delas e vamos ver as cores, sentir os cheiros e viver essa porra dessa vida, que passa rápido pra caralho e te dá essa puta vontade de falar palavrão quando se está feliz!
=)
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Moça

Ela anda na rua como um fantasma. Nada parece tirar ela do rumo, nada parece afetá-la, ninguém sabe que ela nem sente o vento que balança seus cabelos.
Quem a vê, com o livro na mão, sentada sobre a grama verde, não imagina a quantidade de revoluções que são travadas dentro dela. Não percebem a pergunta que grita em seus ouvidos em uma altura que a ensurdece, que a faz perder a razão às vezes: Por que não eu?
Essa pergunta a persegue por onde quer que ela vá, sempre, como uma sombra, um ruído inaudível, uma presença imperceptível. Apenas ela sofre, apenas ela sente, apenas ela ouve, mas quando ela olha os outros nos olhos, percebe que quase todos sentem a mesma coisa. Essa sensação de nunca ser escolhido para nada, de ser sempre o segundo plano, sempre aquilo que é deixado para trás e mais, muito mais do que isto, se acostumar a ser assim, porque foi a única opção que a vida ofereceu, era a única sensação que ela conhecia.
Ela percebe que está em preto e branco enquanto os outros caminhantes parecem coloridos e ela sabe que um dia pode ser colorida também, ainda que um diabinho, que a perturba noite e dia, a faça perceber que algumas pessoas nasceram simplesmente para serem o que são: algumas são felizes e donas de seus destinos, outros nasceram pra catar os restos das migalhas que caem da mesa.
Saber que não havia nascido para ser feliz era a parte fácil de entender, cada religião no mundo tinha uma explicação para isto, aceitar que isto tinha que ser assim para sempre, era o seu desafio, era o que provocava o Inferno que ela trazia nos olhos, sem conseguir jamais livrar-se dele.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Porra de música da Adele!

Eu acordo pela manhã, a luz invade o quarto filtrada pela cortina da janela, eu sinto os braços dele ao meu redor. Quando eu abro os olhos ele sorri, então escondo meu rosto em seu peito e finjo que ele não está olhando para minha cara inchada, nem para o meu cabelo despenteado, mas sei que ele já estava fazendo isto a algum tempo. Eu sinto o cheiro dele, cheiro de pele, cheiro que eu não me esquecerei nem em um milhão de anos, nem do sorriso de todas as manhãs. Ele sussurra em meu ouvido que me ama e que eu estou linda, e que nunca vai me deixar. Eu olho em seus olhos brilhantes e sorrio, mas quando viro para o lado, encontro a cama tão vazia como em todos os outros dias, e aquilo que era minha rotina, quem diria, virou um sonho, lindo e distante. E o sorriso que amanhece em meu rosto se desfaz quando eu acordo e percebo que tenho que enfrentar o que sobrou de mim e da vida, e eu me canso constantemente de falar sobre o assunto, me nego a admitir aquilo que está em mim, que faz parte de mim, que sou eu, ainda que seja a parte que mais odeio em mim e que eu faço questão de ativar ouvindo Adele de madrugada, por alguma razão masoquista e burra.
Eu me pergunto porque faço isto, e um dia talvez eu encontre finalmente uma resposta, e talvez eu pare de me lamentar, talvez eu pare de postar vídeos na porcaria do meu mural na esperança idiota, de que ele leia e entenda, entenda e perceba que ele foi, mas que eu fiquei bem aqui e ainda não saí da droga do lugar.
Sabe meus amigos, constantemente eu penso em escrever coisas diferentes, penso em escrever coisas engraçadas, motivacionais, aterrorizantes e sempre acabo caindo aqui, me abrindo toda, me derramando pelos mesmos motivos, pelo mesmo babaca, cego, surdo e mudo, mas sobre tudo burro, idiota, arrogante que eu não quero ver nem pintado de ouro, nem se vier junto com o prêmio da mega sena, mas que eu não consigo deixar de amar. E o que posso te dizer? Te entendo se não quiser mais me ler, entendo meus amigos e minha mãe se me ignorarem, porra, eu faria isto! Eu entendo todo mundo, só não me entendo. Tento fazer isto descendo a Augusta, tento fazer isto subindo em outras camas, tento fazer isto lendo livros, escrevendo livros, tento, tento. Mas nada muda, nem o que eu sinto, nem o fato de que a cada dia sinto menos, nem o tamanho da tristeza de ter que abrir mão, dia após dia, de todo amor do mundo, que é o que eu tenho guardado dento dessa porcaria de coração, de mente, de alma, de corpo gordo, esperando, esperando pra cair nas mãos exatas, pra amanhecer em outros braços, pra sentir outros cheiros e escrever outros textos.
Sabe o que é esperança? É saber que o dia vai nascer e que nem que seja por um segundo, você vai ser feliz, como merece, como tem que ser, e meus poucos e caros amigos, eu sei que esse dia ainda há de chegar, mas enquanto não chega, tenham paciência, suportem meu egoísmo, meu egocentrismo, meio megalomaníaco, porque eu escrevo pra mim, mas escrevendo, acreditem ou não, eu só quero dar um pouquinho desse amor pra vocês!
O Alpinista

Eu odiava ver em teus olhos que você não me amava, mesmo que tivesse acabado de abrir a boca pra dizer.
Eu adorava ver nos teus olhos, o que eu realmente era pra você, quando olhava pra mim e sentir que você sentia: sentia que eu era inatingível, inalcançável e eu me arrependo tanto de não ter continuado assim: como aquela montanha que leva anos para se chegar ao topo, cheia de desafios e armadilhas e quando finalmente o topo é alcançado, grita, comemora, até que estar ali já não faz sentido, perde o tesão, olha pra baixo e diz: "Eu te venci vadia!" e desce a montanha, depois de tirar fotos e contar suas façanhas de aventureiro para os teus amigos e vai guardar aquele desafio tão grandioso como uma lembrança remota, de uma vitória tão deliciosamente conquistada.
E a montanha? A montanha permanece no mesmo lugar, suportando a marca dos teus passos se apagarem, vendo seu suor e suas lágrimas congelarem e tudo se tornar uma ranhura dolorosa em sua história. De ficar pensando em que outros desafios você foi enfrentar, de saber que nunca mais voltará, mas sabendo que algumas coisas que você deixou ficarão para sempre.
É tão fácil não ter preocupação com aquilo que não se ama, machucar e olhar para trás sorrindo quando tudo o que você viveu já não significa nada, e quem de nós já não fez isto? Quem de nós já não abandonou, e deixou pra lá, e abriu mão de tudo e se esqueceu de rostos e de cheiros e sem preocupações com quem foi deixado para trás?
Eu tinha pena dos alpinistas que quebravam a perna, só não entendia que essa era a tentativa da montanha de fazê-lo ficar um pouco mais.
domingo, 5 de agosto de 2012
Coisas sem propósito

Hoje eu queria escrever, mas não sabia como. Queria que quando ele lesse, não entendesse que é pra ele. Aí lembrei: eu quero mais é que se foda o que a maioria das pessoas acham, por que diabos eu me importaria com ele?
Hoje eu queria falar de amor, dizer sobre tudo de bom que me aconteceu neste final de semana, mas... Ah é, não aconteceu quase nada de bom.
Não confunda as coisas, meu amado leitor, a resposta ainda é não: Não estou apaixonada. É que as vezes cansa, sabe. Cansa sentir que você é uma coisinha rastejando no mundo que ninguém quer, às vezes, e só às vezes, eu queria alguém para quem eu pudesse falar certas coisas, por quem eu pudesse sentir qualquer coisa, mas no final das contas, não quero mais sentir nada.
Quero falar que queria dar mais do que a porcaria que está no meio das minhas pernas, quero falar que queria dar amor, ainda que fosse um pouco, dar atenção, só pra não perder o costume e rir, até perder o ar....
Queria falar, mas não vou.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Só umas coisinhas que eu precisava verbalizar... Ao invés de dizer: Foda-se!

As pessoas sempre me perguntam a razão de eu escolher estar sozinha. "Você é tão legal" eles dizem, "Você é tão compreensiva", "Tão inteligente". Posso contar um segredo? Sou porra nenhuma!
Eu sou o oposto do que as pessoas queriam que eu fosse. Gosto de falar de mim, falo na primeira pessoa, não tenho medo de dar minha cara pra bater, gosto de ser megalomaníaca, só pra variar, não sou a princesinha perfeita que você espera que eu seja e quer saber: eu não quero ser!
Eu fumo mesmo, bebo mesmo, escrevo mesmo e sim, às vezes parece que tem uma pedra batendo no lugar em que deveria existir o coração. Não posso impedir você de ter medo, eu sei que gente como eu assusta. Não posso impedir você de querer se lançar em minha direção, porque abismos são realmente atraentes, nem posso te impedir de me odiar, porque eu não tenho medo de você e nem ligo pro seu jeito maluco e meio pervertido e ainda assim, não significa que eu não te queira por perto, aliás que eu te queira tão perto que chegue a ser literalmente dentro. Não é porque eu sou feita de pedra umas 18 horas do dia que eu não possa reservar umas 6 horas pra ser boazinha e quase apaixonante pra você.
Eu digo coisas loucas e deveria continuar a terapia, mas ser louca me faz rir e tomar vodca verde em pleno domingo a noite. Então vamos fazer assim: me ame, me odeie, tenha medo, sinta amor, faça qualquer coisa, mas faça alguma coisa que me faça ter certeza de que você sabe que eu estou aqui!
segunda-feira, 23 de julho de 2012
A namorada solteira

É sábado a noite e estamos lindas, minhas amigas e eu. Descemos a Augusta em direção ao Inferno em busca de encrenca, ou confusões amorosas, entenda como quiser. Fazia frio na noite linda, mas nada diminuía a alegria de estarmos juntas, juntas e lindas, juntas, lindas e dispostas.
Paramos para comer, mas ela não parava de olhar o celular. Confidencia a nós que as coisas não vão bem, que o namoro já não vai aquelas coisas, que não era pra ser assim porque não faltava amor, mas faltava alguma coisa, faltava aquela chama acesa que parecia ter se perdido no tempo. Faltava.
Eu olhava para o rosto dela procurando alguma coisa não irônica pra dizer, mas me faltavam palavras, então eu me contentava em ouvir e pensar. Pensar no que eu estava vivendo naquele momento. Sim, eu estava sozinha, como tantas outras mulheres sozinhas descendo a Augusta, não, ninguém estava mais sozinha que ela quando via que as mensagens chegavam e que ao invés de tentar conquistá-lá, ele tentava afastá-la com mentiras e ironias.
Vida estranha essa. Quando chegamos ao bar as coisas mudaram, tomamos cerveja e demos risadas, conhecemos pessoas, mudamos de assunto e aconselhamos a esquecer, mais como é que alguém pode esquecer? Durante as conversas eu citava o meu ex, e ela o seu atual, ambas com a mesma amargura, ambas olhando para o passado como algo não tão terrível quanto o presente e eu me perguntando: Como é que as coisas ficaram assim? Como funciona o processo em que o meu amor vira "aquele filha da puta" e a princesa vira "aquela vagabunda!". Quando é que o amor acaba? Por qual porta ele sai que não deixa vestígios? Por que continuar fingindo que as coias são como antes, se já não resta nada?
Um amigo, certa vez, me disse enquanto eu chorava: " Quem quer estar com você, está com você", mas me explica, quando é que você se dá conta de que está com suas amigas na balada enquanto seu namorado está em local desconhecido, quando você se dá conta de que está tão sozinha quanto todo mundo, querendo amor como todo mundo, buscando por alguém ideal, que teoricamente, seria o cara que tem o número gravado como "amor" no celular.
Foi triste ver todas estas questões estampadas no olhar da minha amiga a noite inteira, foi duro saber que tudo o que eu falasse seria pouco, ou não faria nenhum efeito, porque não existe remédio pra mal de amor. Mais triste ainda foi perceber tantos olhares iguais, tantas questões estampadas na testa, tantos beijos dados com aquele desespero de quem quer se agarrar a um pedacinho de qualquer coisa pra não cair de vez.
Eu com as minhas perguntas, elas com seus olhares, a cerveja em cima da mesa, a vida seguindo, tão perfeita quanto nossas maquiagem, até o final da noite.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Medo. Parte II
Dias atrás certas coisas me incomodavam, eu não sabia explicar o que era, mas tava doendo de um jeito, que não havia o que eu fizesse, ou o quanto eu falasse: a dor não passava.
Não sei definir se era de fato dor: era um aperto no peito, uma febre noturna, uma taquicardia que insistia em não ir embora, eu respirava e sentia gelado no peito, tentava pensar e só encontrava o vazio.
Como se o tempo passasse e aquela dor persistisse eu comecei analisá-la: não era falta de ninguém, embora eu sinta falta de muita coisa e muita gente, não era amor, não era ódio, nem raiva, nem tesão reprimido, nem a minha companheira de todos os dias... A solidão. Era medo.
Já com a parte da descoberta resolvida, comecei a analisar o que faria dela. Era medo, mas medo do que? Vamos combinar meu amigo, que eu tenho uma vida razoavelmente estável, as guerras do mundo não estão tão próximas a mim que possam me atingir, minha família está comigo, ainda quando não está, e tudo permanece no mesmo lugar que estava ontem.
Então constatei o óbvio: eu sempre tive medo da vida. Morrer é o caminho dos homens e todo mundo vai passar por isto: primeiro se perde quem se ama para sempre e depois se vai sem deixar rastro. A vida, a vida como eu conheci, sempre foi muito mais difícil e muito menos conclusiva e óbvia.
Sempre tive medo de partir sem ter deixado nenhum vestígio de que passei por aqui, nenhuma marca que pudesse provar minha existência e nem nada de relativamente considerável que me fizesse ser uma lenda. A dor no peito não me enganava: com 25 anos eu já estava cansada. Cansada de lutar uma luta inútil quanto a perder o medo de uma coisa da qual eu não tinha como fugir. Não importava onde eu estivesse, o quanto eu me escondesse: a vida me acharia e seria implacável.
Mas como deixar de fugir? Como falar tudo o que penso sem virar meu mundo de cabeça pra baixo? Como admitir pela primeira vez em muito tempo que não me importo com a maioria dos problemas que ouço, porque sempre consigo ver tudo com uma clareza estranha e obscura, contanto, é claro, que o problema não seja meu? Como admitir que sempre tentei ser inferior a todos ao meu redor, porque nasci com a sensação de que vivo em uma maquete de isopor onde a qualquer momento posso destruir tudo e todos? Como matar dentro de mim esse sentimento de orgulho e essa arrogância que me faz olhar tudo de cima? E ao mesmo tempo, como ser quem eu sou: egocêntrica, um tanto quanto feia, um tanto quanto burra, um tanto quanto triste e tão repetitiva quanto esse “um tanto quanto”? Como ser quem eu sou e ter vocês meus amigos ao meu lado?
Se eu não fosse tão submissa, tão fofa, tão legal e comunicativa, e se eu não fosse para sempre esse personagem que apresento quase sempre às pessoas que estão ao meu lado, se eu não representasse desde que me conheço por gente, eu escaparia da solidão? E aí vem o que me atormenta: se sendo tudo que as pessoas querem eu não escapo da solidão, o que aconteceria se eu mostrasse quem realmente sou?
Eu sei meu leitor, isso rende anos de análise, mas quem eu sou de verdade mandou a analista para o inferno e decidiu seguir a vida somente com duas pernas, como sempre deveria ter sido. Partilho minha dor com vocês, ainda que não importe, ainda que não acrescente nada à sua vida, na verdade eu sei que vai ser o último texto que muitos lerão, porque há muitos que já não toleram nem o personagem, quanto mais a atriz.
Mas termino dizendo uma coisa, na verdade, deixando um conselho: As pessoas não gostam da realidade, jamais vão aceitar quem você é, ou vão apoiar o que você quer, mas existe uma beleza na vida guardada apenas para aqueles que vivem e fazem isso de um maneira realmente importante, de uma maneira que realmente faz a diferença no mundo. Para essas pessoas a vida reserva grandeza, para essas pessoas a vida reserva uma porção extra de solidão e de lágrimas, que no final das contas, é recompensada com a eternidade.
terça-feira, 3 de julho de 2012
Encontrar
Faz frio e são mãos acostumadas a ser frias estas que escrevem esta madrugada. As coisas na vida geralmente acontecem de maneira engraçada e o que eu escrevo nesta madrugada de insônia talvez já não faça sentido. Falando de coisas engraçadas decidi rir da minha desgraça, não, isto não é uma tentativa de causar pena em quem lê, é só pra rir um pouco mesmo, só pra voltar a pincelar cores na vida que eu tinha decidido deixar em preto e branco.
Costumo brincar com meus amigos separando o que eu escrevo em: coisas úteis e dor de corno. Hoje nem sei mais classificar o que vim escrever, na verdade, você me pegou meu leitor: não sei porque comecei a escrever, na verdade talvez até saiba, mas manter a aura de mistério é o segredo do sucesso!
Passei quase dois anos olhando para trás e quando finalmente o torcicolo me venceu, percebi o que havia na minha frente. Sabe o que era? Tenta adivinhar? Precisa de tempo? Nem é tão difícil. Ao olhar para frente enxerguei uma folha em branco. Estúpido e piegas, alguém certamente vai dizer, mas o que me importa, a folha em branco é minha, escrevo nela o que eu quiser!
Hoje, senti uma coisa diferente. Sentei-me com o meu passado pra fumar no quintal de casa e enquanto conversávamos percebi que a companhia dele já não me era mais agradável. Ele havia ocupado espaço demais, tempo demais, lágrimas demais.
Então vou dizer uma coisa que nunca disse, nem pra mim: Eu havia me acostumado com a dor, e aproveitei cada segundo do que ela me proporcionava como se fosse um amigo querido que me dava ideias pra escrever. Me acostumei com a ausência e nem percebi o quanto ela me fazia bem. A ausência acabava escondendo o medo terrível que eu tinha de me encontrar em algum lugar, a saudade de um tempo, um lugar e uma pessoa imaginária, fazia com que eu me escondesse da saudade imensa que eu sentia de mim, da falta que quem eu fui um dia me fazia.
Quando entrei na faculdade eu era uma pessoa que jamais fui: eu era livre, escritora da minha vida, feliz só por respirar, por conquistar o mundo, nada era tão grande ou tão distante que não pudesse ser tocado e eu acabei percebendo que ser assim me dava medo, porque só restava a mim mesma e eu já não sabia viver assim. Eu tive que tentar me ver em outra pessoa, me sentir em outro, pra enfim não ter que ter o trabalho de sentir nada, de pensar em nada, de não viver nada e quando perdi essa muleta... já não sabia o que fazer e demorei muito tempo pra entender que era eu quem colocava minha vida pra funcionar.
Tudo bem meus amigos, vamos classificar esse texto como auto-ajuda. Vamos classificar a minha vida como uma tragédia grega, da qual os deuses impassíveis escrevem meu caminho ao sabor de suas vontades e vamos pensar por um minuto: que vida não é assim, e que graça teria se não fosse?
Existe beleza na vida e eu não sei falar sobre ela, não sei ser esses famosos blogueiros que têm resposta pra tudo e que sempre rendem frases postadas aos montes em murais espalhados pelo mundo. Já ouvi que sou egoísta e que sempre falo sobre mim, mas quando faço isso penso: -Cara, que se foda, escuto todo mundo, sempre me calo diante das opiniões das pessoas, posso me dar o direito de falar sobre mim, ainda que seja só um pouco!
O que eu tenho pra dar não cabe em uma calça 36, em um vestido tamanho P, não é o que todo mundo quer, não sou um buraco ambulante cujo o único sentido da vida é ter, literalmente, algo enfiado nele, não to mais procurando amor, nem to mais procurando a receita da felicidade! Bem ou mal, bonita ou feia, eu me encontrei e hoje o que eu tenho a oferecer não está mais escondido no cantinho da porta como um presente esperando quem queira pegar. Eu estou aqui e hoje sinto tudo, hoje estou aqui e há de novo ar em meus pulmões, hoje estou aqui e ver a foto dele nem dói mais e ouvir blues só me dá vontade de dançar! Decidi viver assim, meio bipolar, aceitando meus dias meio alegre, meio triste, mas sempre com a esperança inteira e agora, enxergando o caminho a seguir1
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Hoje
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Dia dos namorados
Eu prometi que não iria escrever em determinadas datas, prometi pra mim, pra minha mãe e para alguns dos meus melhores amigos, mas dia dos namorados é mais forte que eu...
Redes sociais repletas de recados românticos, shoppings lotados, comerciais na televisão, casais se abraçando amorosamente na rua, na minha, na sua cara, amiga, ou amigo, solteiro... às vezes a vida é uma droga, tudo parece dar errado, o inverno parece mais frio, nem chocolate na tpm tem graça, mas às vezes acontece uma coisa ou outra que faz tudo valer a pena. Duvida? Quer um exemplo?
Era uma vez (prometi não usar esse recurso também, mas já que estou quebrando promessas é melhor chutar o balde) um casal de namorados, era uma vez em que a namorada, por milagre, era eu. Imagine a cena, um quarto pequeno, paredes brancas, tv na frente da cama (não era um motel, viu mãe, não era um motel) o namorado levanta o edredom e pede pra namorada deitar, ela deita... ele tira uma caixinha debaixo do travesseiro, dentro da caixinha um par de alianças e nas alianças a inscrição: "teu por toda minha vida". A namorada, idiota, chora, estende a mão trêmula, percebe que a aliança ficou linda e acredita que vai ser pra sempre. Mas não é, ele a troca como uma roupa velha e usada. Fim da história. Nada de romance meu amigo leitor, nada de vaselina nas entrelinhas, porque a vida não oferece isto, vai te enfiando em você mesmo sem dó nem piedade, mas em troca, permite que você se reconstrua, junte os cacos e siga em frente!
Mas eu estava aqui falando das coisas que fazem a vida valer a pena antes de contar a historinha... bem, as pessoas vem e vão da nossa vida meus amigos e o que resta são apenas lembranças do que já foi e esperança pelo que ainda virá!
Hoje é só um dia, um entre tantos em que você vai estudar, trabalhar, pagar contas, namorar, trair, comprar roupas, comer comida gordurosa, gastar dinheiro como se não houvesse amanhã, vai pra terapia... eu já falei de fumar e beber? Pois então lá vai, vai fumar e beber e quando cuidar que não...oh... passou, já não é mais dia dos namorados, já não é mais tão ruim estar sozinho, já é quase sexta e você já vai poder beijar na boca de um estranho qualquer de quem não vai lembrar nem o nome em uma balada qualquer que você também não vai lembrar onde é!
Feliz todo dia meu amigo, feliz todo dia... porque triste todo dia é fácil demais, é só parar pra olhar a vida e dar aos problemas o tamanho que a gente pensa que eles têm... seja feliz, ainda que seja só pra irritar você mesmo!
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Recuso-me
Ontem escrevi um texto enquanto o professor falava. Sim, eu estava na aula sem ouvir uma palavra. Sim, eu estava me sentindo exatamente como a um ano atrás e sim, eu estava reclamando da vida e da falta que certa pessoa ainda me fazia.
Escrevi um belo texto dizendo como o fantasma dele me perseguia e de como a vida era ruim, mesmo com a falta de alguém que só me fazia mal.
Mas vou contar uma coisa, meu leitor, companheiro e expectador da minha vida: Recuso-me a andar para trás. Recuso-me a não aprender nenhuma das lições que a vida tem se esforçado pra me dar e a sair de cabeça baixa por me sentir envergonhada, e com razão, por não conseguir me desprender do passado.
Agora entendo porque sempre reagi à vida como um bicho acuado, afinal como poderia ser para o mundo a leoa que sou, me comportando como um gatinho encurralado pelo cachorro? Vou te dar um conselho meu amigo, e preste muita atenção: A vida geralmente nos testa, e constantemente faz isto de maneira severa, não permite rebarbas, nem rasuras, quer que você demonstre que aprendeu a lição de maneira perfeita, no entanto existe um segredo que é para poucos... a vida te domina e te bate enquanto você não diz que ela não pode mais, que você cresceu, que aprendeu, que ficou mais duro e mais forte, logo, ela que vá para os diabos com suas lições!
Tomar as rédeas da própria vida é uma difícil lição... requer tempo e esforço e não significa que você nunca mais cairá e que a vida nunca mais o repreenderá, mas significa estar mais preparado, estar mais maduro e principalmente mais sábio. Olhar para trás é uma coisa extremamente fácil, apegar-se ao passado têm lá suas vantagens: já aconteceu, já foi gostoso, já doeu, já te fez viver e já te matou, não há mais nada a ser descoberto ou vivido. Rumemos em direção ao futuro meus caros, transformemos nossas lágrimas em ouro, mas façamos isto como homens, bebendo, fumando e jogando truco... opa, conselho errado! Façamos isto como pessoas dignas de nossa condição humana, ainda que falha e pequena: lutemos de cabeça erguida e sigamos rumo ao futuro que é preparado apenas para quem aceita seu desafio, para quem deseja sair da semi-morte diária e viver a vida plena que todos merecemos. Façamos nossos destinos e não criemos laços ou façamos pactos com fantasmas insolentes que desejam perturbar nossos sonhos! Vivamos a nossa loucura de todos os dias e vamos dar risada de nossa moralidade infundada, gargalhemos dos nossos problemas... só porque chorar por eles não os tornam menores... e bebamos amigos, bebamos de toda a alegria que a vida têm a nos oferecer e nos embriaguemos com as surpresas do destino, porque este nos reserva muitas e diversas, deliciosas... reviravoltas.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Eu sou mesmo uma filha da mãe!
Certo dia conheci uma mulher, pode ser um fato rotineiro pra você meu caro leitor, mas pra mim não foi. Passei por ela durante toda minha vida, conversei e dei bom dia, comemos juntas de dei boa tarde e na hora de dormir dei boa noite e jamais, repito jamais a havia conhecido desde então.
É engraçados como reclamamos de nossa invisibilidade, sem ao menos tentar perceber que quem está do seu lado pode padecer do mesmo mal?
Vou contar uma história, ultimamente estou boa nisto.
Existiu uma mulher que sempre se esforçou para conquistar tudo o que lhe era caro na vida. No início da vida sentiu o peso da desigualdade do afeto da mãe, o peso da pobreza que batia constantemente à porta e consequentemente, o peso do trabalho, logo aos oito anos de idade. Mesmo com a vida dura, existia uma coisa que ela adorava, amava sobre todas as coisas: ir para a escola. Seus olhos espertos nunca enganaram ninguém, a então menina tinha tudo o que precisava para ser grande, tinha uma sede de conhecimento que ninguém simplesmente poderia superar e que nada no mundo, nem a falta de amor, nem de dinheiro poderia tirar.
É claro que o tempo passou e ela cresceu, ficou bonita mesmo sem condições para viver arrumada e o brilho dos seus olhos tão espertos eram agora mais acentuados pela maturidade que a vida naturalmente empurrou por sua goela abaixo durante os anos. E assim ela foi sendo fatiada pelo amor, fatiada pelos homens, pela vida mesmo e ainda assim permaneceu firme, continuou trabalhando, continuou vivendo, mesmo sem ter lá grandes motivos para isto.
Certo dia encontrou um cara e com ele teve um filho ( eu poderia detalhar a história, mas não cabe a mim ficar dando detalhes sensuais), na verdade, uma filha. Abandonou a escola antes de terminá-la, casou-se, teve mais um filho e trabalhou, trabalhou e trabalhou e quando se cansava, trabalhava ainda mais, mesmo quando doí, mesmo quando tinha febre ou faltava vontade e fazia sem reclamar, mesmo com o aperto e os filhos crescendo e o tempo passando e sua essência se perdendo, as pessoas passaram a olhar pra ela e cochichar: "Onde foi parar todo aquele potencial? De que serviram seus olhos tão espertos que fizeram com que ela acabasse assim?". Idiotas, não sabiam que existia um vulcão no coração daquela mulher, não sabiam que sua vontade era de ferro e que era maior que qualquer dificuldade e que a vida forja os fortes em fogo escaldante enquanto os fracos nem ao menos sentem a água morna?
Ela perdeu quem mais amava, certa vez eu a vi chorar sentada no chão do banheiro a uns dois anos atrás e talvez tenha sido a primeira vez na minha vida em que eu tenha percebido que ela também era gente, talvez tenha sido a primeira vez que eu consegui equiparar a nossa dor. Mas a vida não parou por aí: eu tive que me perder completamente pra encontrá-la e ela teve que se perder pra que eu percebesse que ela precisava ser encontrada também, e eu tive a sorte de perceber a tempo.
A tempo de abraçar e dizer que amo, a tempo de fazê-la saber que eu também quero ajudá-la a cicatrizar suas feridas e que nunca vai faltar a ela um ombro amigo enquanto eu viver.
Sempre me orgulhei por nunca ter aberto a minha boca pra dizer que eu não havia pedido pra nascer e depois percebi que era um orgulho tão mesquinho e tão pequeno... tenho orgulho de ter nascido de quem nasci, tenho orgulho de ter sito retalhada e aguentado, exatamente como quem foi retalhada antes de mim.
Tenho orgulho por poder abrir minha boca e dizer: Sim eu saí dela! E você pode até pensar que ela está caída, mas ela está em pé e não vai deixar-se derrubar, ou subjugar, eu sou uma filha da mãe! Uma filha da mãe de sorte por ter tido uma mãe como a minha, que sempre me incentivou a me escutar e a viver o que eu quisesse viver e sempre esteve comigo quando eu quebrei a cara e dei murros na parede.
Feliz Aniversário coisa mais importante da minha vida.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Paciência
Juro que venho tentando ser o que o pastor me mandou ser a vida inteira. Juro que tenho me esforçado para dar o melhor, mas confesso que as pessoas têm cansado o meu senso de justiça e esgotado a minha paciência.
Cada dia que passa, acontece apenas para que alguém se ache no direito de me machucar um pouco mais.
-É porque você deixa - vão dizer alguns- Só fazem conosco o que permitimos -dirão outros. Então me digam, donos da verdade, como não permitir? Devo presumir que todas as pessoas que me aconselham são extremamente felizes?
Vou dizer o que faço todos os dias: eu tento agir como se fosse o último! Digo às pessoas importantes para mim o quanto elas representam em minha vida, tento fazer o melhor possível por mim e por quem está por perto e o que eu recebo em troca? - Pare de se fazer de coitadinha, de ter auto-piedade!
Querem saber meus caros leitores eu vivo a dificuldade de viver em um mundo invertido onde sim é não e não é sim, onde ajudar quem está próximo a você é um pecado mortal e empurrar abismo abaixo quem sempre esteve a seu lado é a melhor atitude a tomar!
Minha paciência tem limites? Acho que tem sim e acho que está perto do fim, mas quando ela chegar ao fim e eu disser tudo o que eu penso sem medo de magoar as pessoas, fazer o que quero sem me importar com o sentimento dos outros e jogar tudo para o alto pelo bem da pessoa mais importante do universo, ou seja: eu, será que ainda me reconhecerei?
Serei mais feliz por viver em um mundo de cegos estúpidos que não conseguem enxergar nada além do espelho e que por esta exata razão não conseguem fazer nada além de reclamar do próximo?
Vou te contar uma coisa sobre amor incondicional: ou você têm... ou finge que têm.
Vou contar uma estória...
Era uma vez uma garota de 23 anos que achava que tinha perdido tudo, seu mundo havia desabado e ela não tinha mais para onde ir, nem com quem falar e muito menos quem a enxergasse. Certo dia esta garota sentou no banheiro de sua casa com a navalha na mão pedindo a Deus que desse forças, ou para ela chegar ao fim, ou para que ela seguisse com a vida e então ela entendeu... se ela morresse no banheiro as pessoas em sua família só perceberiam alguma coisa errada quando a porta não abrisse, ou quando o cheiro fosse um incômodo e no final, no seu tão esperado final, nem seus cachorros e gatos sentiriam sua falta. Então se levantou do chão do banheiro e saiu como se nada tivesse acontecido, ninguém reparou na sua cara inchada de tanto chorar, ninguém reparou que ela olhava para o nada o tempo todo como se esperasse um fim milagroso e mesmo assim ela se levantou e foi viver, sem se importar com o que as pessoas pensavam, ou se elas a enxergavam ou não.
O pior, ou o melhor, não sei dizer, é que as pessoas começaram a notá-la, viam como ela era feliz e como estava indo tudo bem em sua vida, recuperou seus amigos, se dava bem com sua família... Mas eu comecei esta estória falando do amor incondicional meus caros e com ele, se me permitem, vou terminar... Até hoje essa garota, agora mais velha e mais vivida, continua estampando o mesmo olhar no rosto e a mesma falta de solução pra tudo, a diferença é que ela estampa sorrisos e engole toneladas de desaforos por dia.
Vou lhes contar um segredo meus caros, invisibilidade cansa, cansa terrivelmente e se te consola, este não é um pedido de socorro: é um pedido de respeito.
Respeito pelos limites do ser humano que está ao seu lado e que você não tem medo nenhum de machucar, respeito pela vida das pessoas que não são vividas para serem julgadas, respeito pela verdade que merece sempre ser dita, mas pela sensibilidade de quem a ouve, respeito por si mesmo e por seus sentimentos, mas por favor entenda: se seus sentimentos e impulsos ultrapassam o bem estar de quem te cerca, então repense se vale a pena ser sentido ou feito. Quem está do seu lado é de carne e osso, não adianta lutar pela liberdade de um país se não conseguirmos enxergar que frustramos o direito de quem está do nosso lado se reconhecer como ser humano, digno, amado, respeitado.
Talvez seja pedir muito, talvez seja melhor não dar ouvidos a uma louca que parece sempre estar a beira do precipício, como disse um amigo certa vez, mas pense que pode ser tua mãe, teu irmão, tua melhor amiga, sua esposa ou namorada, no banheiro com a navalha na mão.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Presente

"A verdade é que nunca desistimos das pessoas, desistimos de nós mesmas e dos nossos sonhos, colocamos nossos objetivos em segundo plano somete para que as pessoas que amamos fiquem bem e depois partam.
Não sabemos exatamente porque fazemos isto, alguns chamam de amor, outros de submissão, ainda há quem chame de abnegação, eu chamo de dar tudo, de entregar a alma, de não abrir a boca pra dizer que ama mas no final dar pra trás.
Dizem que damos apenas aquilo que temos e eu digo que nem sempre o que temos de melhor é o que as pessoas querem, temos que dar o pior por que é o que as pessoas estão prontas para receber?
Eu sempre vi o amor assim, como um presente que eu sempre quero dar, mas que ninguém quer receber e que mesmo assim eu deixo no canto da porta. Não sei até quando vai durar, não sei até quando eu vou durar, mas não vou abandonar a pureza e nem a beleza de simplesmente poder ser quem sou!!
sábado, 7 de abril de 2012
Fim
A luz do sol é, de repente, filtrada pela cortina refletindo raios dourados no teto branco, ouço pessoas passarem pelo lado de fora da janela, conversas de vizinhas, bons dias, reclamações pelo barulho das crianças... o ar morno circula pelo quarto, cheiro de perfume com suor, gosto de cerveja, o edredom cobre nosso corpo nu... a sensação da perna dele me prendendo, nossas mãos dadas.
Ele ainda dorme, um sono tão tranquilo, tão leve... chego mais perto, repouso minha cabeça sobre seu peito, solto sua mão para acariciar sua barba, ele acorda, tudo acorda e tudo aquilo que me transmitia paz, transforma-se em um vulcão. Beijos, mordidas, risadas, corpos mornos unidos como se fossem um. Tudo se acalma. Paz, paz como jamais houve na terra...minha cabeça novamente em seu peito, a respiração ainda entrecortada... e então, então chega ao fim.
Ele diz que está apaixonado, diz que é por outra. E eu? Eu me pergunto por que razão eu estou ali. Eu finjo que já esperava a notícia, dou risada, ouço, tento fingir que o que está acontecendo é normal, finjo que não existe nada dentro da casca nua sobre a cama, e de fato, existe?
Ele me olha, pergunta se está tudo bem, digo que sim. Ele me olha e me diz:
-" Ih! Vai escrever mais uma crônica!"
Começa a dizer como eu escreveria, me dando sugestões, apenas sorrio e digo que é piegas, digo que vou escrever alguma coisa engraçada, porque aquela situação toda era cômica.
Queria escrever algo engraçado, queria escrever algo triste, queria escrever dor de corno, ou de felicidade, mas meu texto de hoje tem gosto de nada, assim como o sorriso amarelo que eu dava enquanto ouvia as verdades que ele me dizia em suas frases, coisas sem sentido como: " E ela foi pra toca do lobo", tinham mais algumas coisas que eu não queria me esquecer, coisas engraçadas, coisas que não me machucaram, coisas que não me fizeram amar, nem suspirar e nem gemer.
Tem uma coisa que meu leitor não sabe sobre mim, tenho necessidade de escrever tudo, tenho necessidade de pintar quadros com palavras, tenho necessidade de confirmar fatos pra saber que eles aconteceram de verdade e assim, desta forma, contando tudo, me expondo toda, me derramando sobre teus olhos, eu consiga acreditar nestas coisas, que eu espero honestamente que só aconteçam comigo, porque nenhuma outra pessoa no mundo merece passar por este tipo de coisa.
Era uma vez uma mulher que não era apenas um pedaço de carne com um buraco entre as pernas, era uma vez uma mulher que nunca pediu muito a ninguém, apenas respeito, cumplicidade, um pouco de amor, e qualquer outra coisa que a fizesse se sentir um ser humano ao menos uma vez na vida, que a fizesse sentir que ela não era só um pedaço de merda vagando pelo mundo.
Era uma vez uma mulher.
Uma mulher que caiu, levantou, e que continua andando e que vai virando pedra conforme o tempo passa e que vai ficando cada vez mais dura a cada pancada que leva...
Vou contar outro segredo sobre mim meus caros: Sentarei-me no topo do mundo esperando as voltas que ele ainda vai dar.
Sou mulher bem assim, bem assim como diz Ana Carolina..." Sou feita para o amor da cabeça aos pés e não faço outra coisa do que me doar, se eu causei alguma dor não foi por querer, nunca tive a intenção de te machucar..." Mas não derramarei meia lágrima se por acaso isto acontecer!
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Retrato em preto e branco

Faz frio em São Paulo e frio por aqui é coisa diferente de qualquer outro lugar, a garoa vai minando sua vontade de ficar na rua e eu estava ali, entre a Paulista e a Consolação.
As pessoas passavam de um lado para o outro e eu ali parada no ponto esperando meu ônibus e sonhando com um banho quente, o aconchego do meu quarto, o cheiro do amaciante no edredom. Ouço música e tento prestar atenção ao que se passa ao meu redor, (atenção é coisa indispensável por aqui) quando percebo algo do outro lado da rua.
Ele está lá, sentado sobre o papelão, coberto com um farrapo esburacado e sem nada que impeça o frio de destroçá-lo. Apesar de tudo não parece abalado, não sei o que sinto e nem sei se ele sente. Penso sobre estas coisas enquanto vejo as pessoas passarem sem notá-lo, percebo que apenas eu o percebo e em minha condição de única, percebo que não faço nada.
Vejo uma mulher segurando uma criança pela mão, o menino na altura de seus quatro anos carrega uma garrafa d'água na mão, ao ver aquele homem sentado no meio da rua em meio a todo aquele frio e aquela gente, pára sua caminhada, olha sem entender, sorri um sorriso de poucos dentes e estende a garrafa d'água, sua pequena alma entende que às vezes é necessário dar de coração tudo aquilo que se tem, o homem estende o braço, pega sua garrafa e sorri, com os mesmos poucos dentes e talvez com a mesma pureza do menino, a mãe se desespera com o breve contato, como explicar o que é aquilo que não é bicho nem é gente? Como explicar para o menino o que é um mendigo? Ela não diz nada, apenas puxa o garoto com força e o avisa que não deve falar com estranhos.
O mendigo acompanha o caminho do menino com os olhos, olha para a garrafa, abre, toma um gole, fecha, olha para a garrafa e derrama uma lágrima, talvez por perceber que alguém o enxergou pela primeira vez em muito tempo.
Minha lágrima para nos olhos e é abafada pela fumaça do ônibus que explode em gente, sou obrigada a tentar me equilibrar para ser carregada como gado. Minha lágrima escorre porque percebo que minha invisibilidade é tão grande quanto a daquele homem sentado no chão, tão grande quanto a de todas as pessoas que habitam esta cidade.
sábado, 17 de março de 2012
Caminhar

Já dizia Clarice: "É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo."
Ás vezes dói tanto que escondemos a dor para que, andando no mundo dos mortos eles te considerem como um ser vivo.
Escondemos lágrimas atrás de sorrisos e contamos mentiras para que as pessoas percebam que você ainda respira... mas nada resta por dentro.
Meus amigos reclamam da tristeza do que escrevo, da diferença entre o que escrevo e o que vivo, porque sim, meus poucos e caros leitores, por mais impossível que possa parecer, sou uma pessoa feliz. Estou sempre cercada de amigos e sempre tenho boas novas pra contar, de maneira impressionante a vida sempre me cerca do bem e a cada esquina o destino coloca pessoas maravilhosas em meu caminho. O problema, é o que acontece por dentro.
Já se sentiu sozinho no meio de uma multidão? Já sentiu que algo essencial te faltava, mas quando se deu conta tinha mais do que precisava? Pois é, isto tudo faz parte do meu show e talvez também do seu, nisto que absurdamente chamamos de vida.
Não existe ser humano que não sofra ou que não tenha perdido um grande amor, não existe o transformar-se em gente sem alguma grande perda e eu sei que falar disto constantemente é sem dúvida monótono, porque é monótono viver também.
Mas é o que acontece quando você chega em casa em um sábado de madrugada e encontra a casa vazia e se percebe tão vazia quanto ela e existe uma dor tão forte batendo no peito que nem todo o whisky conseguiu afogar, você sente as mãos trêmulas e nem percebe que, talvez e só talvez exista esperança de que no final dê tudo certo, talvez esta dor no peito seja a certeza de que mesmo que dê tudo errado, você seguirá em frente... em frente com isto que você chama de vida.
Sinto vontade de escrever até minha dor passar, sinto vontade de compartilhá-la com você, ainda que você, que conhece minha alma melhor que eu, merecesse todo o amor que eu tenho guardado em algum lugar pra te dar.
Mas respiro fundo, seco as lágrimas e sigo em frente, porque no final das contas, é tudo o que resta a todos nós fazer, nos encontrarmos em nossa desorganização e caminhar sem destino ou vontade de chegar.
terça-feira, 13 de março de 2012
Ciclos

Um ano, um dia, um mês...quê é o tempo para quem o tempo não passa?
Sinto que ainda estou presa àquele instante. O instante da perda, da partida que foi a primeira e parece que vai ser a última.
Lembrança de segurar no corrimão frio de metal do metrô da linha vermelha, do ar que parecia ter deixado de existir na estação Carrão.
Lembrança de entrar no trem sem saber bem o que fazer e o que esperar e ainda assim, esperar um beijo, que vem, mas que não deveria ter vindo.
Lembrança tatuada na boca, na pele e na alma, do exato momento em que esta mesma alma se perdeu e que nunca mais pode encontrar-se, porque já não cabia mais na casa à que desejava pertencer.
Um ano e tudo mudou, um segundo depois e tudo é igual. A dor de perder é igual para todos e vivê-la talvez seja inevitável, e inevitavelmente, saber disto consola a quem, se cada dor é única e intransferível como uma digital?
Um ano onde tudo o que me restou foi a tatuagem vazia feita naquele maldito, ou bendito, vagão de trem.
Lembro de ouvir tocar em minha cabeça: "...lágrimas por ninguém, só porque é triste o fim, todo amor se acabou..." Lembro de dizer adeus, lembro dele dizer que não era um adeus, lembro que meu coração o seguiu, sinto que ele nunca mais voltou.
quarta-feira, 7 de março de 2012
Não aprendi a ser mulher lendo livros

Era uma vez uma linda mulher: bonita, inteligente, doce, meiga, com valores morais de uma verdadeira princesa, ela ama os animais e conversa com as flores, as crianças pequenas sempre sorriem quando ela passa e quando ela anda parece flutuar. Ela é a mulher que todo homem sonhou, devota a seu lar e mesmo assim independente e forte, fiel e pacífica.
Era uma vez, uma mulher que não sou eu.
De certa forma, sempre abominei a perfeição, cresci com a vida e fiz questão de passar muito longe do País das Maravilhas, sempre achei um lugar perigoso que torna as mulheres no que os livros, a tv e a sociedade aprovam e eu, meus caros e poucos leitores, de certa forma, sempre abominei a aceitação.
Não leve a mal, é que no mundo real, se eu flutuar enquanto ando, sou esmagada no metrô lotado e se parar pra conversar com as flores, certamente um vagabundo qualquer vai passar a mão na minha bunda assim que eu abaixar.
O mundo real tem destas coisas, as pessoas não são perfeitas e passam muito longe de desejar ser, geralmente o príncipe encantado é substituído por cinco, ou talvez quinze homens que vão te ferir e magoar durante toda sua vida e ao invés de levar flores ao lhe visitar, vão levar embora um pedaço do coração a cada partida insperada e sem motivos.
Na vida real eles fazem o que querem e vão embora e, quando você pergunta o porque a possível resposta é que você era feia demais, gorda demais, tarada demais, (não podemos esquecer que para um homem ir para o País das Maravilhas encontrar uma mulher ele tem que ser um príncipe, e como isto é para pouquíssimos, eles vagam pelo mundo real, pra divertirem-se quebrando o coração de mulheres como eu e você).
E aí você me pergunta: Se os príncipes estão no País das Maravilhas, por que não vamos para lá?
A resposta é simples:
É porque no mundo real, as mulheres gostam de tomar cerveja no bar, rindo com os amigos, e talvez até prefiram whisky enquanto fumam cigarros. Porque não temos medo de falar palavrão e de brigar no bar, ou na rua, ou no ônibus e porque não em casa, ou em qualquer lugar onde respiremos, por causa de futebol. Porque no mundo real gostamos de transas casuais e de poder sim fazer sexo na primeira noite e nos darmos o direito de agir como homens e não atender o pobre coitado no outro dia, porque, sim, no mundo real podemos ser más sem perder a ternura jamais.
Porque no mundo real a fantasia não acaba quando acontece o casamento, trabalhamos, estudamos, saímos pra dançar, falamos mal de outras pessoas, fazemos comentários maldosos a respeito de gente feia, saímos na porrada se alguém fala mal de uma amiga, tiramos os brincos e as pulseiras, descemos do salto se mexerem com a gente, gostamos de carros e motos e não de homens com carros e motos, queremos o nosso, queremos ganhar bem e viver bem, geralmente brigamos com nossos pais, mas sempre pensamos em viver para deixá-los orgulhosos, ou mesmo calar a boca de quem falou de que não passaríamos de vagabundas.
Não aprendemos sobre amor com Jane Austen, nem a ser princesas com os contos da Disney, aprendemos com a vida que sempre vai doer mais da próxima vez e que você sempre vai ter que ser mais forte pra aguentar as pauladas que a vida vai te dar. Aprendemos sobre amor na marra, vivendo, nos entregando, nos decepcionando, sendo partidas aos pedaços e, as vezes, tendo estes pedaços expostos em praça pública.
Aprendemos na marra a nos tornarmos parte homens para não enlouquecer, aprendemos a andar com nossas próprias pernas e sem esperar muito do futuro, mas mesmo assim nos lançarmos à ele com toda nossa força.
Era uma vez uma mulher que vivia com os pés no chão e que achava o príncipe encantado um babaca, era uma vez uma mulher de verdade que mandou o portão do País das Maravilhas pro inferno, porque o mundo real, às vezes tão assustador, ainda assim, é um lugar feito para nós e por isto, de repente, maravilhoso!
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Bem assim

-Não, não me pergunte se eu quero ficar, porque eu quero!
-Pare, não me dê uma chance. Se me der uma chance eu fico e não vou embora nunca mais.
-Pegue suas coisas e parta!
-Finja que nunca existi!
Gritava meu Passado.
-Não quero que acabe assim!
Dizia eu.
-E tem jeito fácil de acabar alguma coisa?
Retrucou.
-Pois é, entendi, eu já não sirvo mais - disse choroso.
-Não fale assim, tudo o que aconteceu foi lindo!
-Se foi tão lindo e tão bom por que quer se livrar de mim?
-Porque preciso seguir em frente.
E foi assim que abandonei meu Passado em uma esquina qualquer. Magoado e ressentido, como era inevitável que fosse.
Da mesma maneira como fui abandonada pelo amor e pelo Presente.
Magoada e ressentida entendi que o Futuro me esperava em um beco chamado Incerto e para ele eu caminhava enquanto ouvia o choro dolorido do Passado, que derrubava copiosamente as minhas lágrimas em uma esquina esquecida qualquer.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Carnaval
O carnaval acaba e as máscaras caem, caem as minhas, as suas... e no final, descobre-se que ninguém é ninguém.
Os problemas continuam os mesmos depois de quatro dias de festa, as revoltas, as dores, todas elas, as mesmas... e no fundo, quem se importa?
Chega um dia que você acaba se apegando ao pensamento de que tudo passa e acaba se esquecendo de que algumas coisas são eternas e que no fundo, só importa pra você.
Às vezes eu tento mudar, tento ser pra cima, ser diferente, mas acreditem meus poucos e caros leitores: é a vida quem tem ditado o tom do que vivo e portanto do que escrevo.
Chega um dia que todos os abraços e beijos desconhecidos seriam trocados pelo colo de mãe e por um abraço amigo, os abraços que estão longe, porque foram viajar e mesmo que por perto não aconteceriam, porque você cansou de repetir sempre a mesma história triste e ouvir o mesmo conselho de que se têm que ter mais amor próprio. Bom conselho, não duvido, a dificuldade está na execução.
Chega um dia em que você cansa de ser o palhaço no picadeiro da vida, que sofre com um sorriso estampado no rosto enquanto as pessoas se divertem com as suas lágrimas.
-Hoje tem coração partido?
-Tem sim senhor!
-Hoje tem mais um texto triste sendo produzido no meio da rua?
-Tem sim senhor!
-Tem mais uma ilusão perdida e desgaste desnecessário?
É, tem e ter me cansa.
Quero sair do picadeiro e descobrir como posso sorrir carregando o mundo nas costas, quero poder deixar de ser forte, ainda que seja apenas uma vez na vida.
Carnaval...é carnaval...é carnaval e eu ainda sou a mesma, a carne ainda lateja de dor, a cabeça ainda cansa de pensar e o coração ainda cansa de sentir.
Leve seu preto e branco embora carnaval...leve a mim também, quero sentir sua partida como a do ano velho, quero renascer como se você jamais tivesse acontecido.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Partes

Às vezes me pego pensando no desconhecido, sinto como se estivesse me agarrando a ele como a um bote no oceano...penso que o desconhecido é tudo o que me resta, porque o que eu conheço acaba comigo tão facilmente como um vulcão destrói uma grande cidade.
Queria não ter que ser uma mulherzinha por natureza, queria não ter que sentir como eu sinto, queria poder ser fria, de pedra.
Parte de mim se sente deslocada no mundo, esta parte, que talvez seja a melhor, enxerga o mundo e as pessoas, tem sede de ajudar, sede de fazer algo a respeito, tem a necessidade de ver muito além de mim, de me abandonar, de me deixar de lado e correr para salvar a Terra, ainda que seja levando um pouco mais de Educação pra onde eu for.
A outra parte, aquela que sempre me espera na esquina, que me faz sair do eixo, ser impulsiva, passar minhas tardes e noites pensando em como seria a vida se eu tivesse quem amar, é o que me rasga todos os dias ao tentar acordar. E nem é preciso muito para que ela desperte...basta um caminho conhecido, uma lembrança de um tempo que foi tão bom, que faz com que todo o meu altruísmo caia por terra e tudo o que eu havia planejado, tudo o que eu havia desejado, toda a minha força e a pedreira que ergui no lugar do coração seja destruída e renasça como uma maldita fênix novamente.
Ser quem sou me cansa constantemente, me canso da imagem no espelho e da imagem que construo sobre mim todos os dias, me canso da inconstância e do meu egoísmo, canso, canso e fumo, fumo e bebo, bebo e a dor, a dor não passa nunca e a saudade, insiste em ser meu guia e o coração, o coração insiste em não ser meu.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Ferida

Enfim sexta-feira na vida de alguém que enxerga todos os dias como um final de semana.
Minha vida têm sido assim a algum tempo, um final de semana eterno.
Este seria meu motivo para estar plenamente feliz? Estou sempre rodeada de amigos, sempre envolta no delicioso manto de risadas, sempre.
Sempre me falta alguma coisa, alguma coisa que eu achava que era amor, até descobrir que eu já tinha todo o amor de que eu precisava, ali, bem ali na minha mão e isto me fez uma pessoa imensamente feliz.
Mas ainda me faltava, faltava um pedaço que gritava, inflamava, ardia e que eu não sabia qual era. Por um tempo imaginei que era um homem, era a falta de um homem do lado, fazendo declarações de amor de cinco em cinco minutos. Erro vão, que me fez perder tempo e saúde. Este espaço tão rapidamente preenchido não chegou ao menos perto de fechar a ferida.
Então descobri que gritava em meu peito a dor de todos os Homens. Descobri que sangrava por dentro a ferida de todas aquelas pessoas que sangravam e não tinham nem mesmo espaço para derramar uma lágrima sequer.
Gente escondida no meio da multidão sem voz que nos permeia todos os dias.
Gente que sofre, de amor, desilusão, tristeza e fome. Sofre com falta de respeito, de invisibilidade.
Invisibilidade, a maioria das pessoas são invisíveis, perdidas no meio de tantas outras pessoas invisíveis que encontramos diariamente no metrô, nos ônibus, nas escolas, no trabalho.
Gente invisível para quem deveria se importar. Invisível para quem deveria valorizar.
Invisível e sem voz, condicionadas a acreditar que não tem o que falar, que não existe quem as ouça, que não têm importância.
Gente que vive o amor de maneira calada, que vive a alegria em meio a tristeza, gente fechada dentro da própria mente, condicionadas a acreditar que não são nada. Gente que vai ficando cinza pela dureza do dia a dia.
E eu observo isto tudo de fora, de dentro do meu mundo colorido e entendo, talvez pela primeira vez na minha vida, que a feriada aberta é vontade de ajudar essas pessoas, vontade de fazer algo mais do que comentar as notícias no Jornal Nacional, mais do que fazer posts revoltados contra a política no Facebook.
Vontade, esta é a ferida que lateja em mim. Vontade de mudar o mundo, vontade de falar de amor, vontade de falar de justiça e pelo menos poder imaginar que estas coisas existem na vida fora do papel.
Me pergunto o que te consome meu amigo leitor, me pergunto até quando nosso mundo será colorido pela ilusão de que tudo vai bem enquanto o mundo desaba ao nosso lado. Me pergunto até quando não faremos nada. E honestamente...tenho medo da resposta.
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