O carnaval acaba e as máscaras caem, caem as minhas, as suas... e no final, descobre-se que ninguém é ninguém.
Os problemas continuam os mesmos depois de quatro dias de festa, as revoltas, as dores, todas elas, as mesmas... e no fundo, quem se importa?
Chega um dia que você acaba se apegando ao pensamento de que tudo passa e acaba se esquecendo de que algumas coisas são eternas e que no fundo, só importa pra você.
Às vezes eu tento mudar, tento ser pra cima, ser diferente, mas acreditem meus poucos e caros leitores: é a vida quem tem ditado o tom do que vivo e portanto do que escrevo.
Chega um dia que todos os abraços e beijos desconhecidos seriam trocados pelo colo de mãe e por um abraço amigo, os abraços que estão longe, porque foram viajar e mesmo que por perto não aconteceriam, porque você cansou de repetir sempre a mesma história triste e ouvir o mesmo conselho de que se têm que ter mais amor próprio. Bom conselho, não duvido, a dificuldade está na execução.
Chega um dia em que você cansa de ser o palhaço no picadeiro da vida, que sofre com um sorriso estampado no rosto enquanto as pessoas se divertem com as suas lágrimas.
-Hoje tem coração partido?
-Tem sim senhor!
-Hoje tem mais um texto triste sendo produzido no meio da rua?
-Tem sim senhor!
-Tem mais uma ilusão perdida e desgaste desnecessário?
É, tem e ter me cansa.
Quero sair do picadeiro e descobrir como posso sorrir carregando o mundo nas costas, quero poder deixar de ser forte, ainda que seja apenas uma vez na vida.
Carnaval...é carnaval...é carnaval e eu ainda sou a mesma, a carne ainda lateja de dor, a cabeça ainda cansa de pensar e o coração ainda cansa de sentir.
Leve seu preto e branco embora carnaval...leve a mim também, quero sentir sua partida como a do ano velho, quero renascer como se você jamais tivesse acontecido.

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