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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Ferida


Enfim sexta-feira na vida de alguém que enxerga todos os dias como um final de semana.
Minha vida têm sido assim a algum tempo, um final de semana eterno.
Este seria meu motivo para estar plenamente feliz? Estou sempre rodeada de amigos, sempre envolta no delicioso manto de risadas, sempre.
Sempre me falta alguma coisa, alguma coisa que eu achava que era amor, até descobrir que eu já tinha todo o amor de que eu precisava, ali, bem ali na minha mão e isto me fez uma pessoa imensamente feliz.
Mas ainda me faltava, faltava um pedaço que gritava, inflamava, ardia e que eu não sabia qual era. Por um tempo imaginei que era um homem, era a falta de um homem do lado, fazendo declarações de amor de cinco em cinco minutos. Erro vão, que me fez perder tempo e saúde. Este espaço tão rapidamente preenchido não chegou ao menos perto de fechar a ferida.
Então descobri que gritava em meu peito a dor de todos os Homens. Descobri que sangrava por dentro a ferida de todas aquelas pessoas que sangravam e não tinham nem mesmo espaço para derramar uma lágrima sequer.
Gente escondida no meio da multidão sem voz que nos permeia todos os dias.
Gente que sofre, de amor, desilusão, tristeza e fome. Sofre com falta de respeito, de invisibilidade.
Invisibilidade, a maioria das pessoas são invisíveis, perdidas no meio de tantas outras pessoas invisíveis que encontramos diariamente no metrô, nos ônibus, nas escolas, no trabalho.
Gente invisível para quem deveria se importar. Invisível para quem deveria valorizar.
Invisível e sem voz, condicionadas a acreditar que não tem o que falar, que não existe quem as ouça, que não têm importância.
Gente que vive o amor de maneira calada, que vive a alegria em meio a tristeza, gente fechada dentro da própria mente, condicionadas a acreditar que não são nada. Gente que vai ficando cinza pela dureza do dia a dia.
E eu observo isto tudo de fora, de dentro do meu mundo colorido e entendo, talvez pela primeira vez na minha vida, que a feriada aberta é vontade de ajudar essas pessoas, vontade de fazer algo mais do que comentar as notícias no Jornal Nacional, mais do que fazer posts revoltados contra a política no Facebook.
Vontade, esta é a ferida que lateja em mim. Vontade de mudar o mundo, vontade de falar de amor, vontade de falar de justiça e pelo menos poder imaginar que estas coisas existem na vida fora do papel.
Me pergunto o que te consome meu amigo leitor, me pergunto até quando nosso mundo será colorido pela ilusão de que tudo vai bem enquanto o mundo desaba ao nosso lado. Me pergunto até quando não faremos nada. E honestamente...tenho medo da resposta.

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