
Eu acordo pela manhã, a luz invade o quarto filtrada pela cortina da janela, eu sinto os braços dele ao meu redor. Quando eu abro os olhos ele sorri, então escondo meu rosto em seu peito e finjo que ele não está olhando para minha cara inchada, nem para o meu cabelo despenteado, mas sei que ele já estava fazendo isto a algum tempo. Eu sinto o cheiro dele, cheiro de pele, cheiro que eu não me esquecerei nem em um milhão de anos, nem do sorriso de todas as manhãs. Ele sussurra em meu ouvido que me ama e que eu estou linda, e que nunca vai me deixar. Eu olho em seus olhos brilhantes e sorrio, mas quando viro para o lado, encontro a cama tão vazia como em todos os outros dias, e aquilo que era minha rotina, quem diria, virou um sonho, lindo e distante. E o sorriso que amanhece em meu rosto se desfaz quando eu acordo e percebo que tenho que enfrentar o que sobrou de mim e da vida, e eu me canso constantemente de falar sobre o assunto, me nego a admitir aquilo que está em mim, que faz parte de mim, que sou eu, ainda que seja a parte que mais odeio em mim e que eu faço questão de ativar ouvindo Adele de madrugada, por alguma razão masoquista e burra.
Eu me pergunto porque faço isto, e um dia talvez eu encontre finalmente uma resposta, e talvez eu pare de me lamentar, talvez eu pare de postar vídeos na porcaria do meu mural na esperança idiota, de que ele leia e entenda, entenda e perceba que ele foi, mas que eu fiquei bem aqui e ainda não saí da droga do lugar.
Sabe meus amigos, constantemente eu penso em escrever coisas diferentes, penso em escrever coisas engraçadas, motivacionais, aterrorizantes e sempre acabo caindo aqui, me abrindo toda, me derramando pelos mesmos motivos, pelo mesmo babaca, cego, surdo e mudo, mas sobre tudo burro, idiota, arrogante que eu não quero ver nem pintado de ouro, nem se vier junto com o prêmio da mega sena, mas que eu não consigo deixar de amar. E o que posso te dizer? Te entendo se não quiser mais me ler, entendo meus amigos e minha mãe se me ignorarem, porra, eu faria isto! Eu entendo todo mundo, só não me entendo. Tento fazer isto descendo a Augusta, tento fazer isto subindo em outras camas, tento fazer isto lendo livros, escrevendo livros, tento, tento. Mas nada muda, nem o que eu sinto, nem o fato de que a cada dia sinto menos, nem o tamanho da tristeza de ter que abrir mão, dia após dia, de todo amor do mundo, que é o que eu tenho guardado dento dessa porcaria de coração, de mente, de alma, de corpo gordo, esperando, esperando pra cair nas mãos exatas, pra amanhecer em outros braços, pra sentir outros cheiros e escrever outros textos.
Sabe o que é esperança? É saber que o dia vai nascer e que nem que seja por um segundo, você vai ser feliz, como merece, como tem que ser, e meus poucos e caros amigos, eu sei que esse dia ainda há de chegar, mas enquanto não chega, tenham paciência, suportem meu egoísmo, meu egocentrismo, meio megalomaníaco, porque eu escrevo pra mim, mas escrevendo, acreditem ou não, eu só quero dar um pouquinho desse amor pra vocês!

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