terça-feira, 1 de maio de 2012
Paciência
Juro que venho tentando ser o que o pastor me mandou ser a vida inteira. Juro que tenho me esforçado para dar o melhor, mas confesso que as pessoas têm cansado o meu senso de justiça e esgotado a minha paciência.
Cada dia que passa, acontece apenas para que alguém se ache no direito de me machucar um pouco mais.
-É porque você deixa - vão dizer alguns- Só fazem conosco o que permitimos -dirão outros. Então me digam, donos da verdade, como não permitir? Devo presumir que todas as pessoas que me aconselham são extremamente felizes?
Vou dizer o que faço todos os dias: eu tento agir como se fosse o último! Digo às pessoas importantes para mim o quanto elas representam em minha vida, tento fazer o melhor possível por mim e por quem está por perto e o que eu recebo em troca? - Pare de se fazer de coitadinha, de ter auto-piedade!
Querem saber meus caros leitores eu vivo a dificuldade de viver em um mundo invertido onde sim é não e não é sim, onde ajudar quem está próximo a você é um pecado mortal e empurrar abismo abaixo quem sempre esteve a seu lado é a melhor atitude a tomar!
Minha paciência tem limites? Acho que tem sim e acho que está perto do fim, mas quando ela chegar ao fim e eu disser tudo o que eu penso sem medo de magoar as pessoas, fazer o que quero sem me importar com o sentimento dos outros e jogar tudo para o alto pelo bem da pessoa mais importante do universo, ou seja: eu, será que ainda me reconhecerei?
Serei mais feliz por viver em um mundo de cegos estúpidos que não conseguem enxergar nada além do espelho e que por esta exata razão não conseguem fazer nada além de reclamar do próximo?
Vou te contar uma coisa sobre amor incondicional: ou você têm... ou finge que têm.
Vou contar uma estória...
Era uma vez uma garota de 23 anos que achava que tinha perdido tudo, seu mundo havia desabado e ela não tinha mais para onde ir, nem com quem falar e muito menos quem a enxergasse. Certo dia esta garota sentou no banheiro de sua casa com a navalha na mão pedindo a Deus que desse forças, ou para ela chegar ao fim, ou para que ela seguisse com a vida e então ela entendeu... se ela morresse no banheiro as pessoas em sua família só perceberiam alguma coisa errada quando a porta não abrisse, ou quando o cheiro fosse um incômodo e no final, no seu tão esperado final, nem seus cachorros e gatos sentiriam sua falta. Então se levantou do chão do banheiro e saiu como se nada tivesse acontecido, ninguém reparou na sua cara inchada de tanto chorar, ninguém reparou que ela olhava para o nada o tempo todo como se esperasse um fim milagroso e mesmo assim ela se levantou e foi viver, sem se importar com o que as pessoas pensavam, ou se elas a enxergavam ou não.
O pior, ou o melhor, não sei dizer, é que as pessoas começaram a notá-la, viam como ela era feliz e como estava indo tudo bem em sua vida, recuperou seus amigos, se dava bem com sua família... Mas eu comecei esta estória falando do amor incondicional meus caros e com ele, se me permitem, vou terminar... Até hoje essa garota, agora mais velha e mais vivida, continua estampando o mesmo olhar no rosto e a mesma falta de solução pra tudo, a diferença é que ela estampa sorrisos e engole toneladas de desaforos por dia.
Vou lhes contar um segredo meus caros, invisibilidade cansa, cansa terrivelmente e se te consola, este não é um pedido de socorro: é um pedido de respeito.
Respeito pelos limites do ser humano que está ao seu lado e que você não tem medo nenhum de machucar, respeito pela vida das pessoas que não são vividas para serem julgadas, respeito pela verdade que merece sempre ser dita, mas pela sensibilidade de quem a ouve, respeito por si mesmo e por seus sentimentos, mas por favor entenda: se seus sentimentos e impulsos ultrapassam o bem estar de quem te cerca, então repense se vale a pena ser sentido ou feito. Quem está do seu lado é de carne e osso, não adianta lutar pela liberdade de um país se não conseguirmos enxergar que frustramos o direito de quem está do nosso lado se reconhecer como ser humano, digno, amado, respeitado.
Talvez seja pedir muito, talvez seja melhor não dar ouvidos a uma louca que parece sempre estar a beira do precipício, como disse um amigo certa vez, mas pense que pode ser tua mãe, teu irmão, tua melhor amiga, sua esposa ou namorada, no banheiro com a navalha na mão.
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...E quem de nós,depois de dar a cara a tapas e o coração pra ser retalhado cotidianamente,não guardou uma navalha no bolso ,esperando o p´roximo tapa para usa-la...e depois,vestiu sua melhor máscara e foi rir,e tomar cerveja e respirar de novo?
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