
Um ano, um dia, um mês...quê é o tempo para quem o tempo não passa?
Sinto que ainda estou presa àquele instante. O instante da perda, da partida que foi a primeira e parece que vai ser a última.
Lembrança de segurar no corrimão frio de metal do metrô da linha vermelha, do ar que parecia ter deixado de existir na estação Carrão.
Lembrança de entrar no trem sem saber bem o que fazer e o que esperar e ainda assim, esperar um beijo, que vem, mas que não deveria ter vindo.
Lembrança tatuada na boca, na pele e na alma, do exato momento em que esta mesma alma se perdeu e que nunca mais pode encontrar-se, porque já não cabia mais na casa à que desejava pertencer.
Um ano e tudo mudou, um segundo depois e tudo é igual. A dor de perder é igual para todos e vivê-la talvez seja inevitável, e inevitavelmente, saber disto consola a quem, se cada dor é única e intransferível como uma digital?
Um ano onde tudo o que me restou foi a tatuagem vazia feita naquele maldito, ou bendito, vagão de trem.
Lembro de ouvir tocar em minha cabeça: "...lágrimas por ninguém, só porque é triste o fim, todo amor se acabou..." Lembro de dizer adeus, lembro dele dizer que não era um adeus, lembro que meu coração o seguiu, sinto que ele nunca mais voltou.

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