
É sábado a noite e estamos lindas, minhas amigas e eu. Descemos a Augusta em direção ao Inferno em busca de encrenca, ou confusões amorosas, entenda como quiser. Fazia frio na noite linda, mas nada diminuía a alegria de estarmos juntas, juntas e lindas, juntas, lindas e dispostas.
Paramos para comer, mas ela não parava de olhar o celular. Confidencia a nós que as coisas não vão bem, que o namoro já não vai aquelas coisas, que não era pra ser assim porque não faltava amor, mas faltava alguma coisa, faltava aquela chama acesa que parecia ter se perdido no tempo. Faltava.
Eu olhava para o rosto dela procurando alguma coisa não irônica pra dizer, mas me faltavam palavras, então eu me contentava em ouvir e pensar. Pensar no que eu estava vivendo naquele momento. Sim, eu estava sozinha, como tantas outras mulheres sozinhas descendo a Augusta, não, ninguém estava mais sozinha que ela quando via que as mensagens chegavam e que ao invés de tentar conquistá-lá, ele tentava afastá-la com mentiras e ironias.
Vida estranha essa. Quando chegamos ao bar as coisas mudaram, tomamos cerveja e demos risadas, conhecemos pessoas, mudamos de assunto e aconselhamos a esquecer, mais como é que alguém pode esquecer? Durante as conversas eu citava o meu ex, e ela o seu atual, ambas com a mesma amargura, ambas olhando para o passado como algo não tão terrível quanto o presente e eu me perguntando: Como é que as coisas ficaram assim? Como funciona o processo em que o meu amor vira "aquele filha da puta" e a princesa vira "aquela vagabunda!". Quando é que o amor acaba? Por qual porta ele sai que não deixa vestígios? Por que continuar fingindo que as coias são como antes, se já não resta nada?
Um amigo, certa vez, me disse enquanto eu chorava: " Quem quer estar com você, está com você", mas me explica, quando é que você se dá conta de que está com suas amigas na balada enquanto seu namorado está em local desconhecido, quando você se dá conta de que está tão sozinha quanto todo mundo, querendo amor como todo mundo, buscando por alguém ideal, que teoricamente, seria o cara que tem o número gravado como "amor" no celular.
Foi triste ver todas estas questões estampadas no olhar da minha amiga a noite inteira, foi duro saber que tudo o que eu falasse seria pouco, ou não faria nenhum efeito, porque não existe remédio pra mal de amor. Mais triste ainda foi perceber tantos olhares iguais, tantas questões estampadas na testa, tantos beijos dados com aquele desespero de quem quer se agarrar a um pedacinho de qualquer coisa pra não cair de vez.
Eu com as minhas perguntas, elas com seus olhares, a cerveja em cima da mesa, a vida seguindo, tão perfeita quanto nossas maquiagem, até o final da noite.

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