
Hoje acordei me perguntando por que sempre me sinto tão estranha...
Acordei me questionando sobre minhas conversas filosóficas durante a madrugada, no meio da balada, enquanto todo mundo se diverte, enquanto tudo está livre, leve e solto e eu me pergunto por que me sinto tão presa.
Por que descobrimos na noite, no meio da multidão olhares tão solitários quanto os nossos, que nos puxam, que nos atraem, que fazem com que pensemos ainda mais em nosso dia a dia, ainda mais na poesia que a gente não vive.
Durante o começo da noite tentei consolar minha amiga, tentei animá-la dizendo que nós, membros fundadores do clube do coração partido, tínhamos muitos motivos para estarmos felizes. Não estávamos de braços cruzados, trancadas em nosso quarto esperando a vida passar, esperando algum milagre acontecer, estávamos ali, abertas para vida, abertas para o mundo, querendo encontrar pessoas que também estivessem. Devíamos estar felizes!
Bebemos, dançamos, beijamos, rimos, escutamos ótima música, ficamos em pé até os pés doerem, conversamos com pessoas maravilhosas, escutamos conselhos, demos conselhos, descriminamos os canhotos...
No final da noite, enquanto descansávamos os pés, tentei entender minha tristeza e minha amiga tentava compreender a dela. E então, em meio a esta conversa de malucos, eu entendi: nós saímos de casa, mas continuamos trancadas no quarto.
Não importava a nossa roupa de festa, a maquiagem bem feita, o perfume misturado ao cheiro de cigarro fumado entre risadas, ainda estávamos fechadas dentro de nós, esperando que a única pessoa que pudesse nos tirar da solidão batesse à nossa porta e fizesse sua parte. Que parte?
Abraçar tão forte que tirasse o ar, beijar tão docemente que ficasse tatuado pra sempre na memória, sussurrar em meus ouvidos o que deveria ser gritado em megafones no meio da Avenida Paulista: - Eu te amo! Não vou te deixar nunca mais. Sentir a pele, a porcaria da pele que eu procuro em outros, o toque que eu procuro em outros, o cheiro, o peso sobre mim, o abraço na hora de dormir, que eu procuro em outros e não acho, e penso que jamais vou achar, porque procuro o dele. É ele, o G, que poderia ser o R, o P, o M, toda a porcaria do alfabeto com as letras dos homens que formaram cicatrizes profundas e eternas na vida de mulheres como eu, que seguem a vida, mas que de certa forma pararam no tempo, em uma lembrança de alguma coisa tão pura e tão boa, que foi perdida e que ao ser perdida transformou o mundo inteiro em cinza.
Procuro cor.
Procuro a mim e não me acho.
Procuro a chave do quarto.
Mas são coisas tão difíceis de achar, que paro, penso e espero até o próximo fim de semana, quando o whisky vai matizar meus tons de cinza e posso filosofar sobre a vida, sobre o que e quem eu sou, sobre aquilo que quero e aquilo que jamais irei mudar, porque irremediavelmente...faz parte de mim, como faz parte de você.

"nós saímos de casa, mas continuamos trancadas no quarto.
ResponderExcluirNão importava a nossa roupa de festa, a maquiagem bem feita, o perfume misturado ao cheiro de cigarro fumado entre risadas, ainda estávamos fechadas dentro de nós, esperando que a única pessoa que pudesse nos tirar da solidão batesse à nossa porta e fizesse sua parte. "
- é a "imperfeição" de uma vida tão perfeitamente escrita... Lindo e real seria pouco ... Show !
Amei esse texto também já me senti assim.E aquela coisa podemos esta rodeados de gente que gostamos e está vivendo momentos inesqueciveis com nossos amigos mais aquele vazio,aquela falta de algo mais continua Ali e doloroso pra...
ResponderExcluirÉ exatamente esta sensação Sandra...exatamente esta...
ResponderExcluirValeu Lari!!!!
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