BLOGGER TEMPLATES AND TWITTER BACKGROUNDS

domingo, 18 de dezembro de 2011

Tempo

A efemeridade do tempo não é discutível. Ela leva embora dores insuportáveis e momentos inesquecíveis.
A dor que sinto hoje vai passar como um sopro, enquanto o tempo que me pisa, passa por mim dando risadas, trazendo bons ventos e tempestades anunciadas.
Maldito tempo que leva de mim o melhor da juventude e que se esvai como areia entre meus dedos, que não me permite segurar um segundo, que leva embora a quem amo e que não me permite voltar atrás.
Bendito tempo que sara as minhas feridas e faz com que tudo cicatrize e que no fim da vida faz com que tudo pareça uma grande piada distante.
No final sentirei apenas saudade, como sinto já agora da infância, de tempos mais simples em que meus maiores problemas não são hoje a sombra do meu menor.
Saudades de arrancar as casquinhas de ferida dos braços do meu avô, que me segurava no colo, e que fazia um ai! , que mais queria dizer um que diabos você está fazendo? Mas que nem por isso me repreendia, nem por isso brigava comigo, e ainda fazia carinho quando eu saia do seu colo. Maldito tempo que fez meu gigante desabar e que o levou embora, antes que a minha boca pudesse dizer tudo, antes que meus gestos fossem mais lapidados por este mesmo tempo.
Bendito tempo que fez com que a saudade não fosse dolorosa, nem a lembrança do que eu não fiz me martirizasse, porque o que fiz está no passado e o que não fiz jaz no mesmo lugar que as palavras que não falei, e que nunca mais serão ditas.
As saudades que sinto hoje são bem menos altruístas, bem menos emocionais, e ainda assim doem.
Maldito tempo que matou o amor que ele sentia por mim, que me fez mudar e que matou em mim o objeto do desejo do meu amado, maldito tempo que por brincadeira ainda manteve a chama acesa em mim.
Bendito tempo que o apagará e o levará embora, pra nunca mais ser visto, falado ou mesmo pensado. Que o deletará com a simplicidade de apertar uma tecla e que me fará rir da comédia que hoje se faz minha tragédia.
Tempo ingrato e infeliz tu não podes roubar meu agora, porque esse instante em que escrevo essas linhas é totalmente meu, por mais que daqui a um segundo ele já seja passado, ainda assim vivi, sofri, morri e voltei dos mortos, e em menos de um minuto fui intensamente minha.

Nenhum comentário:

Postar um comentário