Eu estava bem, juro que estava bem.
Acordando, indo trabalhar, indo pra facul, pegando sempre o mesmo caminho no metrô, sempre o mesmo trecho em pé no ônibus, a mesma fila no elevador. As mesmas mensagens para as minhas amigas e amigos.
Os finais de semana sempre na expectativa lancinante de que meu muso me ligasse só pra que houvesse um pouquinho de amor, um pouquinho de colorido no mundo cinza em que eu ultimamente como, respiro e amo. Porque, sim meu muso, nosso amor é cinza também.
Mas estava tudo bem, eu estava feliz com a vida cinza onde tudo é sempre igual, onde as coisas não mudam, onde posso fingir que sou feliz e todos acreditam...eu estava feliz...
Até aquele maldito casal levantar e ir pro fundo do ônibus vazio, como havíamos feito tantas vezes, e eu juro, que me lembrou de um tempo onde cada cor era vibrante, e até as coisas cinza eram tão cintilantes que tinham beleza, uma beleza só delas, uma beleza que só eu via.
Me deu saudade da tua boca e do teu corpo, me deu saudade da tua voz antes de dormir, me deu saudade de assistir “Os Padrinhos Mágicos” antes de te amar todas as tardes antes de ir pra faculdade, deu saudade de deitar no seu ombro, de ir abraçando você no metrô.
Me deu esta porcaria de saudade que eu já nem sabia que sentia mais!
Queria não sentir tua falta, e nem sentir o ar faltar quando eu penso em você, queria não pensar em te trazer de volta pra minha vida, queria me convencer de que amo outra pessoa e que ele é o bastante pra que eu te esqueça, queria não pensar em você em cada vez que acordo em outros braços e eu percebo que não são os teus.
E aí eu penso na minha nova mente cinza “vale a pena, o corpinho é bom!”. Mas vou te contar um segredo que só a parte velha do meu coração, sabe... aquela...que se recusa a transformar em pedra? Então, esta parte não admite que alguém me toque sem me tratar como você tratava, que alguém me beije sem a sua doçura, sem que a vida passe sem as nossas tardes de domingo no sofá, e o nosso amor pela manhã, e as nossas febres noturnas... Deus... como era bom me sentir arder nos teus braços!
Maldito casal que foi se amassar no fundo do busão! Eles sabem que me deu vontade de gritar um – Muito obrigado por ter acabado com a minha vida de novo! Vocês sabiam que eu já fiz o que vocês acabaram de fazer no fundo desse ônibus?
Mas só dei risada, a minha famosa risada escondida no canto da boca, meio sarcástica e pensei... eu certamente fiz melhor...é...eu fiz melhor sim! E o vidro que refletia meu rosto se viu chorando e pensando... por que não pode ser pra sempre? Por que tudo não foram risadas e amorzinho gostoso? Aí aquela parte do meu coração que ainda não virou pedra gritou dentro de mim – Já está quase chegando em casa Gabi, toma uma vodka e dorme....é muito tarde pra pensar nestas coisas...
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