
Funciona mais ou menos assim.
Você abre os olhos todas as manhãs, aí você se dá conta de que respira, faz isto uma vez e se dá conta de que está vivo, faz isto duas vezes e percebe que alguma coisa dói.
Tenta pensar no que é, estica as pernas, os braços, mexe o pescoço, enverga, tenta esticar mais, porque o sono tem o dom de nos encolher uns cinco centímetros, senta na cama, percebe se está frio ou calor, pensa na chatice que é ter que levantar cedo e ir trabalhar, ou ir a faculdade, olha para os lados e aí percebe o que dói.
Dói não ter quem você ama dormindo a seu lado, dói àquela ausência que dói sempre, mas que é agravada em dias de frio e chuva. Dói perceber que a vida está passando e que se foi mais uma noite e mais um dia em que você não ouviu aquela voz, não sentiu aquele cheiro, não provou daquele beijo, e se dá conta de que está ficando mais amarga por causa disto.
Não que esta seja sua vontade, vamos entender bem, ninguém quer acordar sentindo o coração rasgar ao meio por perceber que a ausência de quem se ama é a presença mais constante em sua vida, é que amor represado há muito tempo começa a feder e amargar como água que não tem pra onde escoar.
E você pode até se perguntar, como eu me pergunto todo santo dia: Por que não deixar escoar? Por que não dar este amor a quem está mais próximo?
Bem, não sei o seu coração, mas o meu geralmente me responde assim: “Não vou responder, para de perguntar e liga pra ele... Sabe, fala, conversa, diz que você ainda ama, diz que a falta dele tá te matando, que faz com que você se enterre viva a cada dia que passa... LIGA!”
Como eu respondo? Bem, eu vou até o armário e tomo whisky às 8:00 da manhã, desço para o banheiro, escovo os dentes, tiro meu pijama velho e tomo banho, antes de ir até o chuveiro olho para o espelho e digo: “ Dá pra parar de me julgar? Cala a maldita boca coração!”.
Tomo banho e depois tomo café, me visto, dou bom dia para meus pais e vou viver a vida, como se meu despertar jamais tivesse acontecido, como se nada tivesse acontecido.
Entro no carro e ligo o som, coloco música e vou à vida, sorrindo, cantando de uma maneira louca e desafinada, e vivo, trabalho, estudo, tudo muda, meu dia muda, meu humor muda várias vezes ao dia.
Só não muda a tua ausência, com quem tomo café, trabalho, almoço, janto, saio para dançar, durmo e acordo.

"ninguém quer acordar sentindo o coração rasgar ao meio por perceber que a ausência de quem se ama é a presença mais constante em sua vida..." isso é um fato Gravissimo!!! kkkkkkkk
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