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domingo, 18 de dezembro de 2011

Tentar

Hoje cheguei em casa e me deparei com a casa vazia.
Entrei no banheiro e fechei a porta como se eu tivesse o poder de fechar o mundo atrás de mim.
E então chorei.
Chorei como se colocar aquelas lágrimas pra fora fosse o suficiente pra colocar também toda a tristeza.
E gritei.
Um grito sem emitir nem um ruído enquanto me segurava nas paredes, precisando me apoiar em algo para não cair, e gritava, sem conseguir emitir um som, pelo simples fato de que a dor não precisava nem mesmo de um som pra ser tocada como se toca uma pessoa.
Liguei o chuveiro e entrei no banho como se aquela água pudesse levar você embora, como se fosse suficiente pra lavar todo nosso passado, tão esplêndido, tão único, tão maravilhoso, que eu tatuei em cada célula do meu corpo e da minha alma e sem forças me sentei no chão do banheiro, abraçando minhas pernas, querendo seu abraço, querendo que você abrisse a porta do banheiro e me pegasse no colo, que você me abraçasse e me jurasse que aquela dor ia passar e que não ia voltar nunca mais porque você ficaria ao meu lado.
Mas tive que criar forças e me levantar do chão, terminar meu banho, porque teu silencio me perseguiu como um fantasma. Enquanto eu me trocava, enquanto colocava o pijama e olhava pro espelho pensando que não existia vida em mim, porque você já não existia em mim.
Subi na varanda com meu cigarro na mão, como se aquele cigarro pudesse colocar pra fora a vontade de me jogar, de me atirar do mais alto que eu pudesse, de não respirar mais. Sentada na varanda conversei com Deus e te perdoei e tentei me perdoar e admiti que ainda te amo pela primeira vez em muito tempo, e que eu ainda preciso de você.
Pela primeira vez entendi que não dá pra ninguém ocupar seu lugar e prometi pra mim mesma que já não ia mais tentar fazer isto, sim eu vou tentar...
Vou tentar conviver com a sua ausência.
Vou tentar conviver com esse amor que não sai do meu peito.
Vou tentar não sofrer sua saudade.
Vou tentar não desejar a morte toda vez que eu sentir a sua solidão.
Vou tentar enxergar as coisas boas que acontecem comigo e que são ignoradas por causa da sua falta.
Vou tentar enxergar o mundo como um lugar onde eu ainda posso viver, mesmo que este viver seja sem você, mesmo que meu mundo não seja mais o seu lugar.
Eu sinto a sua falta. E vou tentar conviver com isto.
Vou tentar conviver comigo, mesmo sem você em mim.

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