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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Isto

Desde que me conheço por gente eu nunca fui eu: eu sempre fui isto, Isto que não presta Isto que não sente Isto que nunca quis dar o que presta e o que sente. Isto que sempre fui Marcada à fogo Forjada na batalha do dia a dia Isto endurecida pelo amor e pelo desprezo Isto que nunca quis dar o que presta e o que sente. Este eu que sempre foi isto, este eu que sempre foi a sobra do cinismo herdado de cada homem que passou pela minha vida e que deixou sua marca profunda e irreparável. Este eu que não presta Este eu que não serve Este eu que não some E que, irremediavelmente, sofre por isto.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Colóquio

E eu ali, no meio de tanta gente inteligente, ouvindo falar de teóricos que nunca entendi, e não nego que, por vezes, cheguei a questionar o que fazia ali. Eu ali, ouvindo de outros o que acontecia dentro de mim e, tornando-os assim, parte de mim também. Eu ali perdida, mas desejando desesperadamente me encontrar, como se aqueles doutores fossem minha tábua de salvação em meio a um oceano em que nada fazia sentido e onde eu já estava prestes a me afogar. Me afogar neste mundo sem sentimentos sinceros e onde ter um coração não vale nada. Este mundo de que eu nunca fiz parte, porque tenho o dom natural de me apaixonar à cada esquina e de me entregar completamente à tudo o que me cheire a vida e talvez, exatamente por isto, a vida sempre tenha me cheirado a morte. Eu não queria viver neste mundo fragmentado e em trânsito. Eu queria viver poesia, viver romances de livro, só não entendia que a solidão da modernidade também rendia pelos poemas e histórias fantásticas, só não percebia que havia encontrado muita gente sofrendo desta solidão e que talvez fosse por isto que eu sempre me encontrava em muita gente. E eu ali, ouvindo coisas maravilhosas enquanto escrevo, parecendo muito interessada no que estava sendo dito, olhando às vezes, para parecer que estava dando atenção, talvez compartilhando com meus outros eus a minha solidão: de quem escreve sem ser lida, fala sem ser ouvida, sente saudade enquanto é esquecida e que ama, sem jamais ser amada.

sábado, 22 de setembro de 2012

Em meus olhos verdes

Existem coisas inexplicáveis, isto, todo mundo sabe. Mas como se explica se atrair tanto pelo perigo, que se apresenta de uma maneira tão desejável? Não sabemos exatamente como acontece, mas de fato, acontece. Não foi assim naquela noite de bebedeira em que te conheci? Na noite em que me apaixonei irremediavelmente, mesmo sabendo de todos os perigos que isto acarretava? Mesmo sabendo que corria perigo: Perigo de me perder, de perder a vida, a visão que as pessoas tinham de mim, e, mais ainda, como explicar que o meu maior medo era, de repente, te perder e nunca mais sentir o que senti aquela noite? Aquela conexão de almas, de bocas e de corpos que acabou resultando em uma lembrança tão doce, que nunca se repetiu, mas que ficou impressa em mim como uma tatuagem. A vida tem destas coisas mal explicadas, desta coisas erradas que fazemos sabendo que é errado e sabendo que nosso coração nos faz acreditar que é certo? Como se jogar em um abismo sabendo que jamais se encontrará o fundo e ainda assim, sentir um prazer imenso ao faze-lo? Um mês, um ano, uma vida, o que importa? O tempo parou da primeira vez em que me vi refletida em teus olhos, da primeira vez em que seus lábios tocaram os meus, da última vez que a luz se acendeu em meus olhos verdes, que você disse que eram mais profundo que o mar.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Carta ao meu amor


Escrevo enquanto Caetano canta, tento pensar em não simplesmente não escrever. Na verdade minha cabeça pensa: "não é assim Gabi, não se chega bêbada em casa em plena terça-feira e coloca-se uma daquelas músicas em que o Caetano, Gil e Buarque fazem seu coração sangrar para então escrever uma coisa que vai fazer com que você se arrependa", mas meus dedos embriagados respondem: "foda-se, já abri o blog, agora já era".
E enquanto Caetano canta " Não me arrependo" penso em todos os meus arrependimentos e então fico aqui, tentando fazer uma fórmula de subjetividade. Como falar o que eu quero, sem dizer o que eu quero? Como falar do meu amor, sem ser para o meu amor, e então vai saindo isto, esta coisa que só se entende quando se está tão bêbado quanto a pessoa que vos escreve e que todos chamam de arte exatamente porque não conseguem entender.
E tudo o que eu consigo pensar é: Quando você me deixou, perdi o tom e nunca mais consegui cantar nenhuma outra canção, nunca mais minha voz se encaixou na voz de outro alguém, nunca mais o momento perfeito em que a música que tocava era a que eu queria cantar.
Nunca mais vi um dia de Sol, nunca mais a claridade invadiu meu quarto pela manhã do mesmo jeito e nenhuma cerveja teve o mesmo gosto desde então.
Nunca mais uma linha foi escrita sem amargura, nunca mais o amor foi sentido sem arrebentar meu peito, nunca mais seu nome foi dito sem me provocar uma dor imensa, ainda que ninguém estivesse falando de você, e eu odiava os seus "xarás" por isto.
Eu esqueci teu cheiro, o gosto do seu beijo, o calor do seu corpo e assim fui esquecendo de você e esquecendo de mim também. E assim como você foi virando só uma lembrança vaga e um fantasma que me assombra, bem assim, fui fazendo também o meu caminho: um rascunho de tudo o que eu já havia sido, uma imagem que todos vêem e com quem todos riem ou choram, mas que nunca saberão quem é, porque quem eu sou está descompassado e jamais voltará a ser o mesmo.
Meu coração fica repetindo a mesma nota G. aumentado ou diminuído às vezes sustenido, como gostam de chamar, e que me enlouquece ouvir e que sempre me dá dor de cabeça, mas que é a única nota que sei fazer no violão.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Frescuras


Eu sempre tive lá minhas considerações sobre o que era normal. Sempre soube que eu passava muito longe disto.
Vamos fazer um teste, um teste simples: Você acorda e ao sair de casa, percebe que o céu está carregado de nuvens cinzentas e que a temperatura está caindo a cada instante. O que você pensa?
a) Vai chover, vou pegar o guarda-chuva.
b) Vem uma tempestade, vem o cinza mais um vez, aquelas gotas pesadas escorrendo nas ruas, como minha tristeza escorre pelas minhas veias, manhã cinza esta, sim, manhã cinza: mas nunca tão cinza quanto eu.
Se você escolheu a opção A: Parabéns, você faz parte dos 90% da população que são pessoas normais, que não precisam de psiquiatras, nem de antidepressivos, nem de amigos te dizendo o tempo todo que tudo está bem. Mas se você escolheu a B, meu bem, meus sentimentos mais profundos, você é igual a mim e precisa de toda ajuda anti-frescura possível.
Precisa ler, sentar e ler, precisa esgotar toda a sua necessidade dramática de encarar a vida do jeito mais difícil, para que, talvez, um dia, você consiga se vencer. Precisa ser convincente com quem está do seu lado e vestir seu melhor sorriso e beber com a sua cara mais sóbria, pra que todo mundo pense que você está bem e quando falar, preocupe-se em parecer feliz, escreva, leia e finja que se você está triste o tempo todo todo é culpa da porcaria da "alma de artista" que só vai te abandonar quando você morrer e quando o bicho pegar mesmo, daqueles dias em que você não quer sair de casa, coloque a culpa em um bloqueio artístico qualquer.
Não discuta quando te falarem que isto que você sente é falta de uma Igreja, de um Terreiro, de um Templo Budista, de alinhamento nos seus chacras. Diga que você reza muito, seja pra Jesus, pra Ogum, pra Krishna, para os espíritos de luz ou o raio que o parta, porque nada, repito, nada, irrita mais uma pobre alma de artista do que infindáveis discursos religiosos, dizendo que sua alma está no inferno porque o capeta, ou o encosto da esquerda estão travando sua vida, até porque é mentira: sua alma está vivendo no Inferno porque não sabe pra onde ir.
As pessoas normais sabem pra onde ir, olham pra uma jaqueta azul e pensam: que bonito, uma jaqueta azul. Nós... nós pensamos: Jaqueta azul, como ele(a) usava e que tinha um cheiro tão nosso, e que era tudo, era parte de mim , era o que me fazia todo. Consegue entender? Existe uma falta de praticidade na nossa maneira de pensar e de agir, que chega a dar raiva e que nos faz andar em círculos, e pensar que estamos como rochas, seguindo em frente.
Cá pra nós, meus amigos, sempre invejei as pessoas normais, o mundo inteiro é delas e por isso parece um lugar tão escuro e sombrio pra mim, tão escuro e tao sombrio que faz com que eu me perca e mude de direção a cada dois passos.
Me perdoem a frescurite impregnada neste texto, é que é a frescurite impregnada em mim, e que, compartilhando com você, torno nossa, e assim, com mais gente do meu lado do mundo, me sinto mais forte e, talvez, menos perdida também.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Oh le le. Oh lá lá. O feriado tá aí e o bicho vai pegar!


Vou te dizer meu amigo, nada nesta vida anima tanto esta pessoa que escreve pra você neste momento, quanto um bom feriado em plena sexta-feira! Bate aquela vontade enlouquecedora de viver intensamente, de ir para a cachoeira mais próxima e lavar todo o desgaste de tempos tão difíceis, quanto estes em que vivemos.
Tempos difíceis sim, tempos de mentiras bem e mal contadas, de desilusões, de cansaço acumulado, de estudar enlouquecidamente, de trabalhar freneticamente, de desejar fugir ardentemente, de tudo, de tudo mesmo: da falta de dinheiro, daqueles amigos mais falsos que nota de trinta reais, da pressão de ter que se dar muito mais do que temos pra dar. Mas vamos combinar, a expectativa de que ao menos por um dia, mandar tudo isto à merda e viver feliz, já te lembra que estar vivo e respirando é uma dádiva, e de todas as riquezas que só nós possuímos, como amigos que te mandam mensagem às oito horas da manhã perguntando se você quer beber, ainda que seja tomando banho na piscina de plástico dos sobrinhos dele!
Vamos combinar que são tempos maravilhosos também, porque em meio a cada dificuldade que enfrentamos, experimentamos também a delícia de nos vencermos a cada obstáculo enfrentado e não há quem não se sinta vencedor por pelo menos dois minutos de seu dia, ainda que por um motivo fútil, como conseguir vencer uma droga de intestino preso!
É feriado, e este dia quente faz com que a vida corra por cada grão de terra no parque, em cada criança que passa andando de bicicleta, em cada copo de cerveja no boteco lotado da sua e da minha rua!
Vamos viver meus amigos e apreciar o otimismo que nasce dentro de cada um de nós, ainda que seja por um dia. Vamos refletir sobre o motivo das nossas alegrias, para que possamos vencer sempre que a vida nos oferecer um desafio!