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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O Alpinista


Eu odiava ver em teus olhos que você não me amava, mesmo que tivesse acabado de abrir a boca pra dizer.
Eu adorava ver nos teus olhos, o que eu realmente era pra você, quando olhava pra mim e sentir que você sentia: sentia que eu era inatingível, inalcançável e eu me arrependo tanto de não ter continuado assim: como aquela montanha que leva anos para se chegar ao topo, cheia de desafios e armadilhas e quando finalmente o topo é alcançado, grita, comemora, até que estar ali já não faz sentido, perde o tesão, olha pra baixo e diz: "Eu te venci vadia!" e desce a montanha, depois de tirar fotos e contar suas façanhas de aventureiro para os teus amigos e vai guardar aquele desafio tão grandioso como uma lembrança remota, de uma vitória tão deliciosamente conquistada.
E a montanha? A montanha permanece no mesmo lugar, suportando a marca dos teus passos se apagarem, vendo seu suor e suas lágrimas congelarem e tudo se tornar uma ranhura dolorosa em sua história. De ficar pensando em que outros desafios você foi enfrentar, de saber que nunca mais voltará, mas sabendo que algumas coisas que você deixou ficarão para sempre.
É tão fácil não ter preocupação com aquilo que não se ama, machucar e olhar para trás sorrindo quando tudo o que você viveu já não significa nada, e quem de nós já não fez isto? Quem de nós já não abandonou, e deixou pra lá, e abriu mão de tudo e se esqueceu de rostos e de cheiros e sem preocupações com quem foi deixado para trás?
Eu tinha pena dos alpinistas que quebravam a perna, só não entendia que essa era a tentativa da montanha de fazê-lo ficar um pouco mais.

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