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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Carnaval, novamente carnaval...

Eu era só um nó na garganta andando freneticamente pela Benedito Calixto. Eu era o nó que me impedia de chorar, de sorrir, de ver as pessoas, de sentir qualquer coisa que não fosse o calor insuportável e a vontade louca de sair correndo. De sair correndo de dentro de mim. Carnaval... Meus carnavais são sempre assim: folia, músicas de que não gosto no resto do ano, bocas, línguas, cheiros de quem não me lembro nem ao menos o rosto, quem dirá o nome... Nome na ponta da língua de quem não tenho como esquecer, que machuca a alma cada vez que sussurrado, uma facada a cada letra. Talvez não fossem as letras, talvez fosse os olhos da namorada dele que me olhavam inocentemente... talvez fossem os dele meio que desculpando-se por tudo aquilo... talvez fosse a culpa que escorria pelos meus... Era a lembrança daqueles lençóis bagunçados que me vinha à memória, era o cheiro que ainda estava em meus cabelos, eram os beijos que ainda estavam impressos definitivamente em mim... era o chão que se abria mais uma vez e que me tragava com a mesma velocidade e vontade com que eu tragava o cigarro. De repente já não havia mais música, nem as pessoas mais bonitas de São Paulo, éramos só nós... nós três e talvez a parte mais triste, era que éramos apenas três infelizes que ainda não tinham se dado conta disto: um porque era enganado, outro porque precisava enganar e eu... que precisava beber pra esquecer que tinha escolhido cair no meio de uma história, que já era parte minha desde o começo. Acabaram os quatro dias de folia, acabou-se uma etapa da minha história, morreu uma parte de mim que não valia a pena manter viva... e que venham os dias de tentação, que o deserto se mostre a altura... e que no final de tudo o que reste seja, no mínimo, um pouco mais digno e melhor.

Um comentário:

  1. Profundo, um tanto quanto intenso, uma crise de auto conhecimento ou somente uma olhada rapida no espelho, o reflexo de nossas vontades impressa no gosto de nossas paixoes, assim definimos esses dias, assim definimos nossos momentos, o gosto do sal e da amargura que junto do rimel negro que escorre de nossos rostos, nos traz de volta a tristeza de nossa realidade.

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