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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Pensamentos bêbados

Ontem fugi de mim mesma. De minha natureza irritável, ontem tentei não despejar minha fúria no papel, só para não ter que olhar no espelho e ver novamente a imagem patética que havia visto por um bom tempo. Eu pensava - até hoje- que procurava o amor, que andava com pessoas que procuravam amor. Hoje acordei sem saber o que queria e, honestamente, sempre fui uma negação em entender o que as pessoas querem. Talvez, meus amigos estejam certos e eu não esteja no tempo certo de me apaixonar, talvez a vida (que tenta a muito tempo me convencer disto) esteja certa e eu não tenha nascido para a coisa: para esta ideia absurda de encontrar alguém que tire meus pés do chão, que faça meu coração disparar, que me ligue só pra dizer que me ama. Talvez... e só talvez, eu não seja o tipo de mulher que nasceu para receber isto. Talvez e só talvez a minha vida tenha sido feita para coisas diferentes. Hoje meu telefone vibrou e acendeu me mostrando que ele tinha me mandado uma mensagem, mensagem que não respondi... porque não havia mais nada a ser dito. Era um fim, talvez o vigésimo quarto fim... talvez o vigésimo quarto de um centésimo final que ainda virá, talvez a minha história seja cheia disto e vazia de todo o resto: cheia de finais mal acabados, de adeus não ditos, de beijos que nunca serão dados e de admitir que amo quem não vale a pena ser amado. Talvez a vida seja apenas isto ou esteja totalmente bêbada, já não sei mais... já não quero saber. Já não quero saber da minha covardia em dizer nunca mais, da minha falsa coragem em sempre colocar pontos finais que na verdade são vírgulas, da sobra de espaço para quem não merece em um coração que já não aguenta. Já não suporto a subjetividade, nem a sobra de oportunidades desperdiçadas, nem a sombra de outras pessoas que sempre são melhores do que eu. Já não me suporto mais, ou talvez... já não me importe mais com o volume alcoólico de tudo que tomo.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Trucada à Carrie Bradshaw


E mais uma vez, here we go! Vamos ao nosso Sexy and the City de pobre e com menos emoção que New York.
Não é a primeira vez que chego bêbada em casa e escrevo a primeira coisa que me vem a cabeça, não é a primeira vez que perco as vírgulas e esqueço os pontos, não, sem dúvida não é a primeira vez, e não importa também.
Não é a primeira vez de muita coisa, mas hoje honestamente, foi uma primeira de muitas em que eu digo: "porra coração, você quer mesmo me foder de novo?" e que ele responde: "manooo, pode não ser nada disto que você está pensando".
Ele blefava na mesa jogando truco, eu blefava em minhas intenções. E quem diabos poderia saber quem é o melhor mentiroso?
Uma vez na vida eu não queria me sentir como o cachorro que corre atrás da mudança, esperando que algo que me pareça familiar, finalmente caia. Uma vez na minha vida, e só uma vez, eu queria não sentir que o peso de conquistar qualquer coisa estava sobre meus ombros. E eu aqui, bem aqui, com os meus pensamentos bêbados, em uma porra de um sexta-feira a noite.

Carnaval, novamente carnaval...

Eu era só um nó na garganta andando freneticamente pela Benedito Calixto. Eu era o nó que me impedia de chorar, de sorrir, de ver as pessoas, de sentir qualquer coisa que não fosse o calor insuportável e a vontade louca de sair correndo. De sair correndo de dentro de mim. Carnaval... Meus carnavais são sempre assim: folia, músicas de que não gosto no resto do ano, bocas, línguas, cheiros de quem não me lembro nem ao menos o rosto, quem dirá o nome... Nome na ponta da língua de quem não tenho como esquecer, que machuca a alma cada vez que sussurrado, uma facada a cada letra. Talvez não fossem as letras, talvez fosse os olhos da namorada dele que me olhavam inocentemente... talvez fossem os dele meio que desculpando-se por tudo aquilo... talvez fosse a culpa que escorria pelos meus... Era a lembrança daqueles lençóis bagunçados que me vinha à memória, era o cheiro que ainda estava em meus cabelos, eram os beijos que ainda estavam impressos definitivamente em mim... era o chão que se abria mais uma vez e que me tragava com a mesma velocidade e vontade com que eu tragava o cigarro. De repente já não havia mais música, nem as pessoas mais bonitas de São Paulo, éramos só nós... nós três e talvez a parte mais triste, era que éramos apenas três infelizes que ainda não tinham se dado conta disto: um porque era enganado, outro porque precisava enganar e eu... que precisava beber pra esquecer que tinha escolhido cair no meio de uma história, que já era parte minha desde o começo. Acabaram os quatro dias de folia, acabou-se uma etapa da minha história, morreu uma parte de mim que não valia a pena manter viva... e que venham os dias de tentação, que o deserto se mostre a altura... e que no final de tudo o que reste seja, no mínimo, um pouco mais digno e melhor.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

E o que importa?

E estamos aqui outra vez, outra vez sem saber exatamente o que escrever, outra vez sem saber exatamente o que sentir nesses dias cinzas em que a televisão quer nos convencer de que é verão. Talvez seja a vida que perdeu o sentido novamente, ou só eu que me perdi á beira do caminho. Talvez só aquela vontade louca de pegar o telefone e ligar pra um número que foi apagado da agenda, ou as pernas que querem caminhas por uma estrada conhecida que a levará para lugar nenhum. Talvez seja apenas falta de paciência ou o questionamento interminável se vale ou não à pena ter a porcaria da paciência. Talvez a necessidade de recolher as cinzas e começar de novo, de novo e de novo. No final das contas, sabemos o que queremos? Sabemos por onde ir? Quem sabe chegará o dia em que uma canção no rádio nos mostrará por onde seguir. Quem sabe chegará o dia em que Chico e Caetano saberão me dizer o que fazer. Quem sabe a vida volte a fazer tanto sentido quanto poesia Arcadista: deixando a poesia em paz, beleza e simplicidade enquanto o poeta vive de esbórnia e desventura... Quem sabe, quem sabe? E o que importa?