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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Eu sou mesmo uma filha da mãe!

Certo dia conheci uma mulher, pode ser um fato rotineiro pra você meu caro leitor, mas pra mim não foi. Passei por ela durante toda minha vida, conversei e dei bom dia, comemos juntas de dei boa tarde e na hora de dormir dei boa noite e jamais, repito jamais a havia conhecido desde então. É engraçados como reclamamos de nossa invisibilidade, sem ao menos tentar perceber que quem está do seu lado pode padecer do mesmo mal? Vou contar uma história, ultimamente estou boa nisto. Existiu uma mulher que sempre se esforçou para conquistar tudo o que lhe era caro na vida. No início da vida sentiu o peso da desigualdade do afeto da mãe, o peso da pobreza que batia constantemente à porta e consequentemente, o peso do trabalho, logo aos oito anos de idade. Mesmo com a vida dura, existia uma coisa que ela adorava, amava sobre todas as coisas: ir para a escola. Seus olhos espertos nunca enganaram ninguém, a então menina tinha tudo o que precisava para ser grande, tinha uma sede de conhecimento que ninguém simplesmente poderia superar e que nada no mundo, nem a falta de amor, nem de dinheiro poderia tirar. É claro que o tempo passou e ela cresceu, ficou bonita mesmo sem condições para viver arrumada e o brilho dos seus olhos tão espertos eram agora mais acentuados pela maturidade que a vida naturalmente empurrou por sua goela abaixo durante os anos. E assim ela foi sendo fatiada pelo amor, fatiada pelos homens, pela vida mesmo e ainda assim permaneceu firme, continuou trabalhando, continuou vivendo, mesmo sem ter lá grandes motivos para isto. Certo dia encontrou um cara e com ele teve um filho ( eu poderia detalhar a história, mas não cabe a mim ficar dando detalhes sensuais), na verdade, uma filha. Abandonou a escola antes de terminá-la, casou-se, teve mais um filho e trabalhou, trabalhou e trabalhou e quando se cansava, trabalhava ainda mais, mesmo quando doí, mesmo quando tinha febre ou faltava vontade e fazia sem reclamar, mesmo com o aperto e os filhos crescendo e o tempo passando e sua essência se perdendo, as pessoas passaram a olhar pra ela e cochichar: "Onde foi parar todo aquele potencial? De que serviram seus olhos tão espertos que fizeram com que ela acabasse assim?". Idiotas, não sabiam que existia um vulcão no coração daquela mulher, não sabiam que sua vontade era de ferro e que era maior que qualquer dificuldade e que a vida forja os fortes em fogo escaldante enquanto os fracos nem ao menos sentem a água morna? Ela perdeu quem mais amava, certa vez eu a vi chorar sentada no chão do banheiro a uns dois anos atrás e talvez tenha sido a primeira vez na minha vida em que eu tenha percebido que ela também era gente, talvez tenha sido a primeira vez que eu consegui equiparar a nossa dor. Mas a vida não parou por aí: eu tive que me perder completamente pra encontrá-la e ela teve que se perder pra que eu percebesse que ela precisava ser encontrada também, e eu tive a sorte de perceber a tempo. A tempo de abraçar e dizer que amo, a tempo de fazê-la saber que eu também quero ajudá-la a cicatrizar suas feridas e que nunca vai faltar a ela um ombro amigo enquanto eu viver. Sempre me orgulhei por nunca ter aberto a minha boca pra dizer que eu não havia pedido pra nascer e depois percebi que era um orgulho tão mesquinho e tão pequeno... tenho orgulho de ter nascido de quem nasci, tenho orgulho de ter sito retalhada e aguentado, exatamente como quem foi retalhada antes de mim. Tenho orgulho por poder abrir minha boca e dizer: Sim eu saí dela! E você pode até pensar que ela está caída, mas ela está em pé e não vai deixar-se derrubar, ou subjugar, eu sou uma filha da mãe! Uma filha da mãe de sorte por ter tido uma mãe como a minha, que sempre me incentivou a me escutar e a viver o que eu quisesse viver e sempre esteve comigo quando eu quebrei a cara e dei murros na parede. Feliz Aniversário coisa mais importante da minha vida.

Um comentário:

  1. GABI, TENHO ORGULHO DE TER UMA SOBRINHA COM ESTA SENSIBILIDADE, E CORAGEM DE EXPÔR SUAS FERIDAS E MAZELAS DE FORMA TÃO CONTUNDENTE. O QUE ME ASSOMBRA NESTA MENINA GRANDE QUE VI CRESCER É DELICADEZA QUE TRATA DE FALAR DAS VITÓRIAS E CONQUISTAS. UM ABRAÇO!

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