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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Bem assim


-Não, não me pergunte se eu quero ficar, porque eu quero!
-Pare, não me dê uma chance. Se me der uma chance eu fico e não vou embora nunca mais.
-Pegue suas coisas e parta!
-Finja que nunca existi!
Gritava meu Passado.
-Não quero que acabe assim!
Dizia eu.
-E tem jeito fácil de acabar alguma coisa?
Retrucou.
-Pois é, entendi, eu já não sirvo mais - disse choroso.
-Não fale assim, tudo o que aconteceu foi lindo!
-Se foi tão lindo e tão bom por que quer se livrar de mim?
-Porque preciso seguir em frente.
E foi assim que abandonei meu Passado em uma esquina qualquer. Magoado e ressentido, como era inevitável que fosse.
Da mesma maneira como fui abandonada pelo amor e pelo Presente.
Magoada e ressentida entendi que o Futuro me esperava em um beco chamado Incerto e para ele eu caminhava enquanto ouvia o choro dolorido do Passado, que derrubava copiosamente as minhas lágrimas em uma esquina esquecida qualquer.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Carnaval


O carnaval acaba e as máscaras caem, caem as minhas, as suas... e no final, descobre-se que ninguém é ninguém.
Os problemas continuam os mesmos depois de quatro dias de festa, as revoltas, as dores, todas elas, as mesmas... e no fundo, quem se importa?
Chega um dia que você acaba se apegando ao pensamento de que tudo passa e acaba se esquecendo de que algumas coisas são eternas e que no fundo, só importa pra você.
Às vezes eu tento mudar, tento ser pra cima, ser diferente, mas acreditem meus poucos e caros leitores: é a vida quem tem ditado o tom do que vivo e portanto do que escrevo.
Chega um dia que todos os abraços e beijos desconhecidos seriam trocados pelo colo de mãe e por um abraço amigo, os abraços que estão longe, porque foram viajar e mesmo que por perto não aconteceriam, porque você cansou de repetir sempre a mesma história triste e ouvir o mesmo conselho de que se têm que ter mais amor próprio. Bom conselho, não duvido, a dificuldade está na execução.
Chega um dia em que você cansa de ser o palhaço no picadeiro da vida, que sofre com um sorriso estampado no rosto enquanto as pessoas se divertem com as suas lágrimas.
-Hoje tem coração partido?
-Tem sim senhor!
-Hoje tem mais um texto triste sendo produzido no meio da rua?
-Tem sim senhor!
-Tem mais uma ilusão perdida e desgaste desnecessário?
É, tem e ter me cansa.
Quero sair do picadeiro e descobrir como posso sorrir carregando o mundo nas costas, quero poder deixar de ser forte, ainda que seja apenas uma vez na vida.
Carnaval...é carnaval...é carnaval e eu ainda sou a mesma, a carne ainda lateja de dor, a cabeça ainda cansa de pensar e o coração ainda cansa de sentir.
Leve seu preto e branco embora carnaval...leve a mim também, quero sentir sua partida como a do ano velho, quero renascer como se você jamais tivesse acontecido.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Partes


Às vezes me pego pensando no desconhecido, sinto como se estivesse me agarrando a ele como a um bote no oceano...penso que o desconhecido é tudo o que me resta, porque o que eu conheço acaba comigo tão facilmente como um vulcão destrói uma grande cidade.
Queria não ter que ser uma mulherzinha por natureza, queria não ter que sentir como eu sinto, queria poder ser fria, de pedra.
Parte de mim se sente deslocada no mundo, esta parte, que talvez seja a melhor, enxerga o mundo e as pessoas, tem sede de ajudar, sede de fazer algo a respeito, tem a necessidade de ver muito além de mim, de me abandonar, de me deixar de lado e correr para salvar a Terra, ainda que seja levando um pouco mais de Educação pra onde eu for.
A outra parte, aquela que sempre me espera na esquina, que me faz sair do eixo, ser impulsiva, passar minhas tardes e noites pensando em como seria a vida se eu tivesse quem amar, é o que me rasga todos os dias ao tentar acordar. E nem é preciso muito para que ela desperte...basta um caminho conhecido, uma lembrança de um tempo que foi tão bom, que faz com que todo o meu altruísmo caia por terra e tudo o que eu havia planejado, tudo o que eu havia desejado, toda a minha força e a pedreira que ergui no lugar do coração seja destruída e renasça como uma maldita fênix novamente.
Ser quem sou me cansa constantemente, me canso da imagem no espelho e da imagem que construo sobre mim todos os dias, me canso da inconstância e do meu egoísmo, canso, canso e fumo, fumo e bebo, bebo e a dor, a dor não passa nunca e a saudade, insiste em ser meu guia e o coração, o coração insiste em não ser meu.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Ferida


Enfim sexta-feira na vida de alguém que enxerga todos os dias como um final de semana.
Minha vida têm sido assim a algum tempo, um final de semana eterno.
Este seria meu motivo para estar plenamente feliz? Estou sempre rodeada de amigos, sempre envolta no delicioso manto de risadas, sempre.
Sempre me falta alguma coisa, alguma coisa que eu achava que era amor, até descobrir que eu já tinha todo o amor de que eu precisava, ali, bem ali na minha mão e isto me fez uma pessoa imensamente feliz.
Mas ainda me faltava, faltava um pedaço que gritava, inflamava, ardia e que eu não sabia qual era. Por um tempo imaginei que era um homem, era a falta de um homem do lado, fazendo declarações de amor de cinco em cinco minutos. Erro vão, que me fez perder tempo e saúde. Este espaço tão rapidamente preenchido não chegou ao menos perto de fechar a ferida.
Então descobri que gritava em meu peito a dor de todos os Homens. Descobri que sangrava por dentro a ferida de todas aquelas pessoas que sangravam e não tinham nem mesmo espaço para derramar uma lágrima sequer.
Gente escondida no meio da multidão sem voz que nos permeia todos os dias.
Gente que sofre, de amor, desilusão, tristeza e fome. Sofre com falta de respeito, de invisibilidade.
Invisibilidade, a maioria das pessoas são invisíveis, perdidas no meio de tantas outras pessoas invisíveis que encontramos diariamente no metrô, nos ônibus, nas escolas, no trabalho.
Gente invisível para quem deveria se importar. Invisível para quem deveria valorizar.
Invisível e sem voz, condicionadas a acreditar que não tem o que falar, que não existe quem as ouça, que não têm importância.
Gente que vive o amor de maneira calada, que vive a alegria em meio a tristeza, gente fechada dentro da própria mente, condicionadas a acreditar que não são nada. Gente que vai ficando cinza pela dureza do dia a dia.
E eu observo isto tudo de fora, de dentro do meu mundo colorido e entendo, talvez pela primeira vez na minha vida, que a feriada aberta é vontade de ajudar essas pessoas, vontade de fazer algo mais do que comentar as notícias no Jornal Nacional, mais do que fazer posts revoltados contra a política no Facebook.
Vontade, esta é a ferida que lateja em mim. Vontade de mudar o mundo, vontade de falar de amor, vontade de falar de justiça e pelo menos poder imaginar que estas coisas existem na vida fora do papel.
Me pergunto o que te consome meu amigo leitor, me pergunto até quando nosso mundo será colorido pela ilusão de que tudo vai bem enquanto o mundo desaba ao nosso lado. Me pergunto até quando não faremos nada. E honestamente...tenho medo da resposta.