Então talvez seja assim: talvez seja a falta de sono que me empurra pra frente, que me faz querer chegar até o fundo do sentimento estranho com que passei o dia.
Esta vontade louca de abrir os braços no meio do jardim e respirar fundo, de sentir o Sol me abraçar, de sentir o calor em minha pele. Esta alegria repentina e inexplicável com que não sei lidar, vem bater em minha porta pela manhã e não tenho certeza se quero abri-la.
Talvez você ache estranho, meu caro leitor, deparar-se com alguém com medo de ser feliz, mas acredite quando digo: que mais estranho que isto é receber a visita da felicidade, quando quase sempre pela manhã, horário em que, aliás, quase nunca vivo, recebo a visita da chateação e do mau humor... Que o normal é a vontade de sentar na escada do quintal com uma xícara de café e um cigarro e, definitivamente, sem a felicidade ao lado.
E aí, no lugar da felicidade vem aquele medo de passar por tudo de novo, de sofrer novamente a perda, porque a felicidade é, de fato uma convidada que sempre vai embora rápido e deixa mais saudades do que posso suportar... Mas também dá aquele friozinho na barriga e aquela vontade de bater asas de novo, de fazer tudo de novo, de apostar tudo o que sou, de reaprender a voar, de soltar esse mar de amor que ainda tá preso aqui dentro e que não tem pra onde escoar. Fecho a porta, apenas mais uma vez... E peço que ela volte um pouco mais tarde e com a condição de vir acompanhada pelo destino.
quarta-feira, 6 de março de 2013
A estranha em minha porta
Então talvez seja assim: talvez seja a falta de sono que me empurra pra frente, que me faz querer chegar até o fundo do sentimento estranho com que passei o dia.
Esta vontade louca de abrir os braços no meio do jardim e respirar fundo, de sentir o Sol me abraçar, de sentir o calor em minha pele. Esta alegria repentina e inexplicável com que não sei lidar, vem bater em minha porta pela manhã e não tenho certeza se quero abri-la.
Talvez você ache estranho, meu caro leitor, deparar-se com alguém com medo de ser feliz, mas acredite quando digo: que mais estranho que isto é receber a visita da felicidade, quando quase sempre pela manhã, horário em que, aliás, quase nunca vivo, recebo a visita da chateação e do mau humor... Que o normal é a vontade de sentar na escada do quintal com uma xícara de café e um cigarro e, definitivamente, sem a felicidade ao lado.
E aí, no lugar da felicidade vem aquele medo de passar por tudo de novo, de sofrer novamente a perda, porque a felicidade é, de fato uma convidada que sempre vai embora rápido e deixa mais saudades do que posso suportar... Mas também dá aquele friozinho na barriga e aquela vontade de bater asas de novo, de fazer tudo de novo, de apostar tudo o que sou, de reaprender a voar, de soltar esse mar de amor que ainda tá preso aqui dentro e que não tem pra onde escoar. Fecho a porta, apenas mais uma vez... E peço que ela volte um pouco mais tarde e com a condição de vir acompanhada pelo destino.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Pensamentos bêbados
Ontem fugi de mim mesma. De minha natureza irritável, ontem tentei não despejar minha fúria no papel, só para não ter que olhar no espelho e ver novamente a imagem patética que havia visto por um bom tempo.
Eu pensava - até hoje- que procurava o amor, que andava com pessoas que procuravam amor. Hoje acordei sem saber o que queria e, honestamente, sempre fui uma negação em entender o que as pessoas querem.
Talvez, meus amigos estejam certos e eu não esteja no tempo certo de me apaixonar, talvez a vida (que tenta a muito tempo me convencer disto) esteja certa e eu não tenha nascido para a coisa: para esta ideia absurda de encontrar alguém que tire meus pés do chão, que faça meu coração disparar, que me ligue só pra dizer que me ama. Talvez... e só talvez, eu não seja o tipo de mulher que nasceu para receber isto. Talvez e só talvez a minha vida tenha sido feita para coisas diferentes.
Hoje meu telefone vibrou e acendeu me mostrando que ele tinha me mandado uma mensagem, mensagem que não respondi... porque não havia mais nada a ser dito. Era um fim, talvez o vigésimo quarto fim... talvez o vigésimo quarto de um centésimo final que ainda virá, talvez a minha história seja cheia disto e vazia de todo o resto: cheia de finais mal acabados, de adeus não ditos, de beijos que nunca serão dados e de admitir que amo quem não vale a pena ser amado.
Talvez a vida seja apenas isto ou esteja totalmente bêbada, já não sei mais... já não quero saber.
Já não quero saber da minha covardia em dizer nunca mais, da minha falsa coragem em sempre colocar pontos finais que na verdade são vírgulas, da sobra de espaço para quem não merece em um coração que já não aguenta. Já não suporto a subjetividade, nem a sobra de oportunidades desperdiçadas, nem a sombra de outras pessoas que sempre são melhores do que eu. Já não me suporto mais, ou talvez... já não me importe mais com o volume alcoólico de tudo que tomo.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Trucada à Carrie Bradshaw

E mais uma vez, here we go! Vamos ao nosso Sexy and the City de pobre e com menos emoção que New York.
Não é a primeira vez que chego bêbada em casa e escrevo a primeira coisa que me vem a cabeça, não é a primeira vez que perco as vírgulas e esqueço os pontos, não, sem dúvida não é a primeira vez, e não importa também.
Não é a primeira vez de muita coisa, mas hoje honestamente, foi uma primeira de muitas em que eu digo: "porra coração, você quer mesmo me foder de novo?" e que ele responde: "manooo, pode não ser nada disto que você está pensando".
Ele blefava na mesa jogando truco, eu blefava em minhas intenções. E quem diabos poderia saber quem é o melhor mentiroso?
Uma vez na vida eu não queria me sentir como o cachorro que corre atrás da mudança, esperando que algo que me pareça familiar, finalmente caia. Uma vez na minha vida, e só uma vez, eu queria não sentir que o peso de conquistar qualquer coisa estava sobre meus ombros. E eu aqui, bem aqui, com os meus pensamentos bêbados, em uma porra de um sexta-feira a noite.
Carnaval, novamente carnaval...
Eu era só um nó na garganta andando freneticamente pela Benedito Calixto. Eu era o nó que me impedia de chorar, de sorrir, de ver as pessoas, de sentir qualquer coisa que não fosse o calor insuportável e a vontade louca de sair correndo. De sair correndo de dentro de mim.
Carnaval...
Meus carnavais são sempre assim: folia, músicas de que não gosto no resto do ano, bocas, línguas, cheiros de quem não me lembro nem ao menos o rosto, quem dirá o nome...
Nome na ponta da língua de quem não tenho como esquecer, que machuca a alma cada vez que sussurrado, uma facada a cada letra. Talvez não fossem as letras, talvez fosse os olhos da namorada dele que me olhavam inocentemente... talvez fossem os dele meio que desculpando-se por tudo aquilo... talvez fosse a culpa que escorria pelos meus...
Era a lembrança daqueles lençóis bagunçados que me vinha à memória, era o cheiro que ainda estava em meus cabelos, eram os beijos que ainda estavam impressos definitivamente em mim... era o chão que se abria mais uma vez e que me tragava com a mesma velocidade e vontade com que eu tragava o cigarro.
De repente já não havia mais música, nem as pessoas mais bonitas de São Paulo, éramos só nós... nós três e talvez a parte mais triste, era que éramos apenas três infelizes que ainda não tinham se dado conta disto: um porque era enganado, outro porque precisava enganar e eu... que precisava beber pra esquecer que tinha escolhido cair no meio de uma história, que já era parte minha desde o começo.
Acabaram os quatro dias de folia, acabou-se uma etapa da minha história, morreu uma parte de mim que não valia a pena manter viva... e que venham os dias de tentação, que o deserto se mostre a altura... e que no final de tudo o que reste seja, no mínimo, um pouco mais digno e melhor.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
E o que importa?
E estamos aqui outra vez, outra vez sem saber exatamente o que escrever, outra vez sem saber exatamente o que sentir nesses dias cinzas em que a televisão quer nos convencer de que é verão.
Talvez seja a vida que perdeu o sentido novamente, ou só eu que me perdi á beira do caminho. Talvez só aquela vontade louca de pegar o telefone e ligar pra um número que foi apagado da agenda, ou as pernas que querem caminhas por uma estrada conhecida que a levará para lugar nenhum.
Talvez seja apenas falta de paciência ou o questionamento interminável se vale ou não à pena ter a porcaria da paciência. Talvez a necessidade de recolher as cinzas e começar de novo, de novo e de novo.
No final das contas, sabemos o que queremos? Sabemos por onde ir?
Quem sabe chegará o dia em que uma canção no rádio nos mostrará por onde seguir. Quem sabe chegará o dia em que Chico e Caetano saberão me dizer o que fazer. Quem sabe a vida volte a fazer tanto sentido quanto poesia Arcadista: deixando a poesia em paz, beleza e simplicidade enquanto o poeta vive de esbórnia e desventura... Quem sabe, quem sabe? E o que importa?
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Destino
Ontem eu comi vingança. Ontem saboreei sorvete de tristeza com cobertura de lágrimas, de alguém que algum dia tinha me feito sofrer.
Caiu mal em meu estômago, o que tão saborosamente passou pela minha boca e hoje não sei o que fazer para a dor passar.
Cada um colhe o que planta, não nos ensinam assim? Eu não queria colher algo tão amargo quanto o que sinto agora, que percebo que todos os meus votos de que ele fosse feliz sem mim eram verdade. Sim, era verdade, eu queria que ele fosse feliz.
De quebra, eu queria ser feliz também, talvez não feliz, só menos dramática seria bom.
Um dia eu o vi sair por uma porta e não voltar nunca mais, hoje quem sai pela porta sou eu e nem sei pra onde ir. Depois de quase dois anos saí do quarto trancado à chaves que guardava no coração, e não vi nada.
Achei que olharia e veria uma escritora, mas só fato de escrever não me torna uma. Qualquer criança de sete anos sabe escrever sobre o que sente, e assim, o que me fazia sentir especial, saiu também pela porta, e me deixou sozinha, com meu blog e alguns amigos, que nunca abracei e que nunca vi e deveria bastar, mas hoje nada basta.
Hoje é a vez do destino comer meu sorvete de sofrimento e me mostrar que não sou nada, a vida não é realmente fantástica?
Um dia do caçador, outro dia do caçador, todos os dias do caçador... é preciso entender que o dia da caça nunca chega, é preciso entender que a caça tem apenas alguns minutos de descanso enquanto o caçador não sente seu cheiro e, Deus sabe, o destino é um excelente rastreador.
sábado, 3 de novembro de 2012
Caminhos diferentes
Eu poderia dizer que é triste, mas não é.
Sempre foi assim e como poderia não ser? A pessoa que é o centro do teu mundo hoje, nem existe daqui a um ano.
Estranho pensar no modo como as coisas acontecem, tenho amigos que são amigos durante minha vida inteira, de quem me afastei por longos anos, por motivos de que nunca me lembro, mas que sempre estiveram de braços abertos, como um porto seguro, esperando assim que eu decidisse atracar. Tenho amigos que fazem parte da minha vida a alguns anos, que vejo todo dia e que até dói pensar em não ver mais, mas nunca sabemos o que acontecerá. E existem pessoas que foram amigos, confidentes, literalmente irmãos e que hoje, nem me reconhecem quando passam por mim na rua.
Não é de se estranhar: eu não sou mais a mesma pessoa, mudei completamente o rumo da minha vida, não posso culpá-los por não me verem mais e nem eu por também negligenciá-los, porque o tempo passou e eles continuam os mesmos e meus olhos se recusam a não enxergar mudança.
Lembro-me das tardes no parque lendo com minha melhor amiga, que hoje não me liga nem no aniversário, lembro-me dos telefonemas diários do meu melhor amigo, que eu amava de todo o meu coração... E que hoje não aceita nem meu convite no Facebook, e pensar que isto aconteceu a uns cinco anos atrás...
As pessoas vem e vão da nossa vida, mas ficam marcadas para sempre, queria que elas soubessem disto, que cada amigo meu soubesse que é parte da minha história e um pedacinho do que eu sou hoje, ainda que tenhamos nos perdido, ainda que quando nos achamos não nos reconhecemos mais...
Eu ainda sou a mesma pessoa que você amou, ainda sou a mesma pessoa que te fez sorrir... só fiquei mais amarga e mais culta, fiz uma ou duas tatuagens, fumo um ou dois maços de cigarro e tomo quanta cerveja meu corpo aguentar... mas ainda sou eu.
Aos meus amigos, que hoje não lembram nem meu nome.
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