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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Presente


"A verdade é que nunca desistimos das pessoas, desistimos de nós mesmas e dos nossos sonhos, colocamos nossos objetivos em segundo plano somete para que as pessoas que amamos fiquem bem e depois partam.
Não sabemos exatamente porque fazemos isto, alguns chamam de amor, outros de submissão, ainda há quem chame de abnegação, eu chamo de dar tudo, de entregar a alma, de não abrir a boca pra dizer que ama mas no final dar pra trás.
Dizem que damos apenas aquilo que temos e eu digo que nem sempre o que temos de melhor é o que as pessoas querem, temos que dar o pior por que é o que as pessoas estão prontas para receber?
Eu sempre vi o amor assim, como um presente que eu sempre quero dar, mas que ninguém quer receber e que mesmo assim eu deixo no canto da porta. Não sei até quando vai durar, não sei até quando eu vou durar, mas não vou abandonar a pureza e nem a beleza de simplesmente poder ser quem sou!!

sábado, 7 de abril de 2012

Fim


A luz do sol é, de repente, filtrada pela cortina refletindo raios dourados no teto branco, ouço pessoas passarem pelo lado de fora da janela, conversas de vizinhas, bons dias, reclamações pelo barulho das crianças... o ar morno circula pelo quarto, cheiro de perfume com suor, gosto de cerveja, o edredom cobre nosso corpo nu... a sensação da perna dele me prendendo, nossas mãos dadas.
Ele ainda dorme, um sono tão tranquilo, tão leve... chego mais perto, repouso minha cabeça sobre seu peito, solto sua mão para acariciar sua barba, ele acorda, tudo acorda e tudo aquilo que me transmitia paz, transforma-se em um vulcão. Beijos, mordidas, risadas, corpos mornos unidos como se fossem um. Tudo se acalma. Paz, paz como jamais houve na terra...minha cabeça novamente em seu peito, a respiração ainda entrecortada... e então, então chega ao fim.
Ele diz que está apaixonado, diz que é por outra. E eu? Eu me pergunto por que razão eu estou ali. Eu finjo que já esperava a notícia, dou risada, ouço, tento fingir que o que está acontecendo é normal, finjo que não existe nada dentro da casca nua sobre a cama, e de fato, existe?
Ele me olha, pergunta se está tudo bem, digo que sim. Ele me olha e me diz:
-" Ih! Vai escrever mais uma crônica!"
Começa a dizer como eu escreveria, me dando sugestões, apenas sorrio e digo que é piegas, digo que vou escrever alguma coisa engraçada, porque aquela situação toda era cômica.
Queria escrever algo engraçado, queria escrever algo triste, queria escrever dor de corno, ou de felicidade, mas meu texto de hoje tem gosto de nada, assim como o sorriso amarelo que eu dava enquanto ouvia as verdades que ele me dizia em suas frases, coisas sem sentido como: " E ela foi pra toca do lobo", tinham mais algumas coisas que eu não queria me esquecer, coisas engraçadas, coisas que não me machucaram, coisas que não me fizeram amar, nem suspirar e nem gemer.
Tem uma coisa que meu leitor não sabe sobre mim, tenho necessidade de escrever tudo, tenho necessidade de pintar quadros com palavras, tenho necessidade de confirmar fatos pra saber que eles aconteceram de verdade e assim, desta forma, contando tudo, me expondo toda, me derramando sobre teus olhos, eu consiga acreditar nestas coisas, que eu espero honestamente que só aconteçam comigo, porque nenhuma outra pessoa no mundo merece passar por este tipo de coisa.
Era uma vez uma mulher que não era apenas um pedaço de carne com um buraco entre as pernas, era uma vez uma mulher que nunca pediu muito a ninguém, apenas respeito, cumplicidade, um pouco de amor, e qualquer outra coisa que a fizesse se sentir um ser humano ao menos uma vez na vida, que a fizesse sentir que ela não era só um pedaço de merda vagando pelo mundo.
Era uma vez uma mulher.
Uma mulher que caiu, levantou, e que continua andando e que vai virando pedra conforme o tempo passa e que vai ficando cada vez mais dura a cada pancada que leva...
Vou contar outro segredo sobre mim meus caros: Sentarei-me no topo do mundo esperando as voltas que ele ainda vai dar.
Sou mulher bem assim, bem assim como diz Ana Carolina..." Sou feita para o amor da cabeça aos pés e não faço outra coisa do que me doar, se eu causei alguma dor não foi por querer, nunca tive a intenção de te machucar..." Mas não derramarei meia lágrima se por acaso isto acontecer!

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Retrato em preto e branco


Faz frio em São Paulo e frio por aqui é coisa diferente de qualquer outro lugar, a garoa vai minando sua vontade de ficar na rua e eu estava ali, entre a Paulista e a Consolação.
As pessoas passavam de um lado para o outro e eu ali parada no ponto esperando meu ônibus e sonhando com um banho quente, o aconchego do meu quarto, o cheiro do amaciante no edredom. Ouço música e tento prestar atenção ao que se passa ao meu redor, (atenção é coisa indispensável por aqui) quando percebo algo do outro lado da rua.
Ele está lá, sentado sobre o papelão, coberto com um farrapo esburacado e sem nada que impeça o frio de destroçá-lo. Apesar de tudo não parece abalado, não sei o que sinto e nem sei se ele sente. Penso sobre estas coisas enquanto vejo as pessoas passarem sem notá-lo, percebo que apenas eu o percebo e em minha condição de única, percebo que não faço nada.
Vejo uma mulher segurando uma criança pela mão, o menino na altura de seus quatro anos carrega uma garrafa d'água na mão, ao ver aquele homem sentado no meio da rua em meio a todo aquele frio e aquela gente, pára sua caminhada, olha sem entender, sorri um sorriso de poucos dentes e estende a garrafa d'água, sua pequena alma entende que às vezes é necessário dar de coração tudo aquilo que se tem, o homem estende o braço, pega sua garrafa e sorri, com os mesmos poucos dentes e talvez com a mesma pureza do menino, a mãe se desespera com o breve contato, como explicar o que é aquilo que não é bicho nem é gente? Como explicar para o menino o que é um mendigo? Ela não diz nada, apenas puxa o garoto com força e o avisa que não deve falar com estranhos.
O mendigo acompanha o caminho do menino com os olhos, olha para a garrafa, abre, toma um gole, fecha, olha para a garrafa e derrama uma lágrima, talvez por perceber que alguém o enxergou pela primeira vez em muito tempo.
Minha lágrima para nos olhos e é abafada pela fumaça do ônibus que explode em gente, sou obrigada a tentar me equilibrar para ser carregada como gado. Minha lágrima escorre porque percebo que minha invisibilidade é tão grande quanto a daquele homem sentado no chão, tão grande quanto a de todas as pessoas que habitam esta cidade.