sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Destino
Ontem eu comi vingança. Ontem saboreei sorvete de tristeza com cobertura de lágrimas, de alguém que algum dia tinha me feito sofrer.
Caiu mal em meu estômago, o que tão saborosamente passou pela minha boca e hoje não sei o que fazer para a dor passar.
Cada um colhe o que planta, não nos ensinam assim? Eu não queria colher algo tão amargo quanto o que sinto agora, que percebo que todos os meus votos de que ele fosse feliz sem mim eram verdade. Sim, era verdade, eu queria que ele fosse feliz.
De quebra, eu queria ser feliz também, talvez não feliz, só menos dramática seria bom.
Um dia eu o vi sair por uma porta e não voltar nunca mais, hoje quem sai pela porta sou eu e nem sei pra onde ir. Depois de quase dois anos saí do quarto trancado à chaves que guardava no coração, e não vi nada.
Achei que olharia e veria uma escritora, mas só fato de escrever não me torna uma. Qualquer criança de sete anos sabe escrever sobre o que sente, e assim, o que me fazia sentir especial, saiu também pela porta, e me deixou sozinha, com meu blog e alguns amigos, que nunca abracei e que nunca vi e deveria bastar, mas hoje nada basta.
Hoje é a vez do destino comer meu sorvete de sofrimento e me mostrar que não sou nada, a vida não é realmente fantástica?
Um dia do caçador, outro dia do caçador, todos os dias do caçador... é preciso entender que o dia da caça nunca chega, é preciso entender que a caça tem apenas alguns minutos de descanso enquanto o caçador não sente seu cheiro e, Deus sabe, o destino é um excelente rastreador.
sábado, 3 de novembro de 2012
Caminhos diferentes
Eu poderia dizer que é triste, mas não é.
Sempre foi assim e como poderia não ser? A pessoa que é o centro do teu mundo hoje, nem existe daqui a um ano.
Estranho pensar no modo como as coisas acontecem, tenho amigos que são amigos durante minha vida inteira, de quem me afastei por longos anos, por motivos de que nunca me lembro, mas que sempre estiveram de braços abertos, como um porto seguro, esperando assim que eu decidisse atracar. Tenho amigos que fazem parte da minha vida a alguns anos, que vejo todo dia e que até dói pensar em não ver mais, mas nunca sabemos o que acontecerá. E existem pessoas que foram amigos, confidentes, literalmente irmãos e que hoje, nem me reconhecem quando passam por mim na rua.
Não é de se estranhar: eu não sou mais a mesma pessoa, mudei completamente o rumo da minha vida, não posso culpá-los por não me verem mais e nem eu por também negligenciá-los, porque o tempo passou e eles continuam os mesmos e meus olhos se recusam a não enxergar mudança.
Lembro-me das tardes no parque lendo com minha melhor amiga, que hoje não me liga nem no aniversário, lembro-me dos telefonemas diários do meu melhor amigo, que eu amava de todo o meu coração... E que hoje não aceita nem meu convite no Facebook, e pensar que isto aconteceu a uns cinco anos atrás...
As pessoas vem e vão da nossa vida, mas ficam marcadas para sempre, queria que elas soubessem disto, que cada amigo meu soubesse que é parte da minha história e um pedacinho do que eu sou hoje, ainda que tenhamos nos perdido, ainda que quando nos achamos não nos reconhecemos mais...
Eu ainda sou a mesma pessoa que você amou, ainda sou a mesma pessoa que te fez sorrir... só fiquei mais amarga e mais culta, fiz uma ou duas tatuagens, fumo um ou dois maços de cigarro e tomo quanta cerveja meu corpo aguentar... mas ainda sou eu.
Aos meus amigos, que hoje não lembram nem meu nome.
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